„A televisão não mostrou“

Estréia hoje um quadro que o Bruno Mantovani e eu batizamos de batendo de frente. Meu alvo predileto são as coisas de sempre: Incompetência e falta de profissionalismo. Porque será que a gente se depara com estes fenômenos toda hora neste nosso querido Brasil? Se já não bastasse que qualquer serviço tupiniquim que você contrata acaba falhando, causando danos, constrangimentos e outros desagrados, nem mesmo um domingo em frente à TV você consegue aproveitar numa boa, sem se aborrecer.


Reclamar da narração do Gagá Bueno hoje em dia já pode ser visto de falta de assunto, eu sei. Mas permita que ilumine um pouquinho o caminho por trás dos bastidores, para que não haja dúvida, o quanto este personagem vive da enganação do seu público,

Já faz tempo que as reclamações do Gagá Bueno enquanto as produções das transmissões estrangeiras de Fórmula 1 estão entaladas na minha garganta. Que ele vive reclamando que “a televisão não mostrou” só comprova, que o grande primeiro narrador vira um nada assim que lhe faltam as imagens geradas para acompanhar o seu raciocínio (sic) ou suas preferências. Ou seja, é evidentemente mais difícil trabalhar com as imagens que lhe são fornecidas na telinha, do que ter imagens geradas, acompanhando o conteúdo da narração. É o que o “no-muy-Bueno” está acostumado nas transmissões da Rede Globo.

Vamos já aproveitar em falar da produção da própria Globo durante o GP do Brasil. Você sabia que há três anos a emissora contrata o excelente diretor austríaco Fritz Melchert? Sabe por quê? Porque não tem UM diretor de imagens na Globo que entenda de Fórmula 1! Os diretores que a emissora tem, só sabem trabalhar em cima de vinte caras correndo atrás de uma bola. Conheço o Fritz desde os tempos de narrador na Eurosport TV, quando atingimos em 1999 o recorde eterno de audiência para a Fórmula 3000 trabalhando juntos. Eu diria que o Fritz é o melhor diretor de transmissões de TV no automobilismo da atualidade. Até os mais tediosos GPs no Nürburgring ou Hungaroring ele transformou em algo interessante a assistir, graças ao seu estilo dinâmico de seleção de imagens.

Conversei com o Fritz Melchert sobre o seu trabalho com a Globo e se as condições de trabalho seriam comparáveis com as condições oferecidas pela ORF ou RTL na Europa. Não precisou falar muito a respeito, a cara dele falou por si. Mas o que ficou claro é que o trabalho dele é de babá. Isso mesmo: BABÁ. Pois a Globo põe dois (!) diretores ali, um para cuidar das imagens da pista, outro para cuidar das imagens dos boxes. Isto em si já é uma burrice. Agora vem: Os dois “100 noção” vivem brigando um com outro, já que cada um faz as suas cagadas individuais, e o Fritz tem que amenizar as brigas e consertar os foras. Pode? De um lado a Globo teve a sensatez de contratar o melhor diretor de imagens, só para impedir que ele mesmo possa fazer um trabalho bem feito. Já notou que o Gagá Bueno nunca criticou os foras, por vezes piores, quando a produção – precária – é da casa?

Diga-se de passagem, que o estúdio móvel da Globo, pelo menos este que colocaram lá em Interlagos, é um calhambeque com equipamento ultrapassado e telinhas do tamanho de cadernos. Bem estranho isto, quando se compara os recursos moderníssimos que a emissora aplica quando a questão é de produzir novela ou mais uma edição do BBB. Ao nosso querido Gagá Bueno então o recado: Falar mal dos outros, enquanto o próprio lado é aquela bagunça tipicamente brasileira, é simplesmente comprovar a falta de seriedade e competência, da qual o acuso com freqüência. Eu conheço a FOM por dentro, pois trabalhei no famoso “Bakersville”, o centro de produção de TV digital da FOM, como consultor de conteúdo em 2002. No dia que a Globo chegar perto do nível de eficiência da FOM, o Sr. Bueno, que nunca colocou um pé sequer lá, pode voltar a fazer as suas afirmações patéticas.

Mas a Rede Globo é líder no país por quê? Porque os outros são piores ainda! Veja bem: A Rádio e Televisão Bandeirantes Ltda. anuncia em seu site a transmissão do Grande Premio de Iowa – titulo do evento, aliás, inteiramente inventado para aquela etapa da Fórmula Indy – às 14.30 horas do domingo. A narração do Téo José foi mais uma vez cativante e competente, contrário à transmissão das 500 Milhas de Indianápolis com o mesmo Luciano do Valle ao microfone, que recentemente desabafou que só queria ter comentarista formado do seu lado. Pelo que me consta, a sua formação jornalística nunca lhe tornou uma competência em qual seja a transmissão de automobilismo que cobriu. Bom, talvez décadas atrás. Mas o tempo não pára, meu querido.

Enfim, aí estamos nós, amantes do automobilismo, sentados aí durante uma hora e meia assistindo o Tony Kanaan e o Helinho Castroneves brigar pela liderança, quando de repente nos deparamos com a imagem de um campo de futebol na véspera do jogo Vasco/Palmeiras e entrevistas, que não interessam naquele momento, tomam o espaço da cobertura. Pela reação do Luciano do Valle, o diretor pediu para ele que comentasse o final da corrida. Mas tem que ser muito imbecil para ter uma idéia destas. Felizmente, isto a resposta do mesmo também deixou clara, o locutor não havia imagem para tal. Ufa! E nós em casa ficamos com uma imagem do tamanho de um selo postal sobre a fase decisiva da corrida com um desesperado Téo José – que tem todo o direito de ficar PUTO com a direção de produção – manter o telespectador pelo menos informado até a bandeirada.

Você consegue imaginar o alvoroço, se tivessem feito a mesma coisa no inverso, destruir uma transmissão de quase duas horas de futebol para mostrar o grid de largada da Indy…? Neste caso, os incompetentes do Murilo Fragas, o Diretor de Programação que deveria ter previsto que isto poderia acontecer e planejado algo inteligente como contornar o problema de forma competente e elegante, e o igualmente incompetente Raimundo Lima, Diretor de Produção responsável por esta demonstração pública desta vergonhosa falta de competência e criatividade, teriam sido mandados embora. Mas sendo como é, vão continuar aprontando imbecilidades deste porte.

Edu Vaz, Mario Bauer, Felipe Maluhy

Aliás, já que resolvi bater de frente com esta indústria, aproveito a explicar o porquê depois da minha estréia como comentarista na Bandsports não houve continuação no assunto. Em primeiro lugar sou profissional, ou seja, recebo remuneração pelo trabalho que faço. Após aquela etapa da NASCAR de Phoenix ficamos de conversar outras atuações, já que o Willy Hermann nem sempre está disponível. Não somente fiquei nem um pouco impressionado com a comunicação interna absolutamente hilária na Band, assim como não tenho MESMO intenção de assumir as minhas despesas enquanto ao deslocamento e, já que a maioria das corridas acontece em horário noturno, a estadia em São Paulo. Mas é justamente o que a maioria dos comentaristas fazem. Só pra aparecer na televisão se entregam de graça e ainda pagam as despesas. Tô fora! Não trabalho por merrecas, muito menos de graça. Outra: Assumir o trabalho do departamento comercial e eu mesmo correr atrás de patrocinadores, me desculpem, mas nunca vi algo tão absurdo na minha vida profissional. Isto é amadorismo assalariado. Nada além.

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23 Gedanken zu “„A televisão não mostrou“

  1. É, infelizmente o Brasil é „soda“. A Band é uma porcaria, poe o chato do Luciano do Valle pra narrar, e ele chama o Dan Wheldon de Don Wheldon, e deixam o competente Téo José de fora. E essa de pagar pra trabalhar é ridículo para uma emissora do tamanho da Bandeirantes. Seria aceitável se fosse numa tv pequena, porém não lá. Adorei este novo quadro, mas não acabe com ele se algum idiota o critica-lo.

  2. É Mario, acompanho a NASCAR e a transmissão do BandSports é uma piada.

    Perdem ultrapassagems e bandeiras amarelas, quiz idiotas e outros assuntos irritantes.

    Ser diretor de imagens não é tão dificil, é só ver as diferenças de carros no Live timing. Quem estiver com a menor ficar , isso quando um carro não está mais rapido e se aproximando do proximo. Brincadeiras à parte, tem lances que são perdidos e o Galvanta nem reclama. Ele tem que é se preocupar com o trabalho dele, que desempenha ridiculamente.

    E a transmissão autista da Band nas 500 milhas?!?!?! Sem diferença entre os piltotos e 95% da prova focando nos lideres.

  3. Muito legal e profunda a tua análise, Mário. Gostei muito. Os empresários brasileiros querem sempre a dar um salário de „fome“ e que o profissional faça „tudo“, é de um amadorismo sem precedentes. Qto. às transmissões é uma piada, pois só de ver as imagens antevejo e comento com minha esposa com que está a acontecer enquanto os „locutores(?)“ nem comentar ou precisar algo o faz. É triste e com este teu comentário vi que não estou sozinho em minha indignação. O Luciano do Valle é uma „besta“ que deveria estar a tomar sol em Porto de Galinhas que ele idolatra e deixar o assento para quem realmente sabe falar com propriedade.

  4. Muito bacana…
    Mas e os bastidores dos pilotos…
    Ficou somente no Nelsinho??? ;(
    Estou ansioso e sedento por novas… 😀
    Abraços!!!

  5. Muito interessante o artigo, Mario…. fica um pedido: poderia comparar só para avaliarmos a diferença com as redes de tv aberta aí na Europa?

    saudações

  6. Mario: como é obvio, estando fora do Brasil não posso me pronunciar sobre a qualidade da narração e das transmissões televisivas. Só falo daquilo que eu vejo quer no meu país, quer na Europa.

    No meu país, se ainda não te disse, digo-te agora: as transmissões são em sinal fechado, num canal pago por assinatura, a Sport TV. Como não vejo (não tenho pachorra para pagar mais um extra para ver desporto), não sei o que se passa lá. Mas se ainda for do tempo da RTP, com uns comentadores mauzinhos, em estúdio, a ver o que se passa em pista, então deve ser só a cor da mosca que mudou…

    Assim sendo, vejo a TF1, com os comentadores Christophe Malbranque e o Jacques Laffite. São competentes, profissionais, e vão às pistas! Nâo é como no meu país, infelizmente.

    E o teu post tem outra coisa em comum daquilo que tenho cá: futebol. Quando o „desporto-rei“ come 90 por cento do tempo e que ainda ficar com os outros dez, é definitivamente um insulto a todos, até para os leigos. começo a detestá-lo porque é a coisa chega à núsea… Queres um exemplo? Por causa do Europeu, tive que ver o GP do Canadá via Net, porque nem os franceses me salvaram…

    Enfim, é um pouco o tempo em que vivemos. Desinvestimentos, maus narradores, cortes no orçamento, tipos que estão no lugar há tempo demais… será que a Globo vai ficar com o Galvão até aos 80 anos, como fez ao Murray Walker?

    Abraços, Mário!

  7. Mário, até que enfim alguém criticou a geração terrível de imagens da Globo no GP do Brasil. É de longe, a pior da temporada.

    Mas vale destacar: desde o ano passado a FOM gera quase todas as provas do World Feed. Inclusive as corridas na Alemanha. Em 2007, apenas Mônaco, Japão e o Brasil tiveram gerações (muito ruins, diga-se de passagem, especialmente o último…) feitas por emissoras locais. Esse ano a FOM anunciou que fará 16 das 18 provas e em uma entrevista para a BBC, um dos responsáveis pela cobertura disse que eles não farão apenas Mônaco (que não fizeram mesmo) e Japão. Acho que a Globo e sua estrutura precária, para felicidade de todos, dançou.

    Mais dois pontos: a FOM anda usando um sistema parecido, embora não igual, no World Feed. Um diretor corta as câmeras da pista e outro coloca, em cima disso, imagens dos boxes, replays, on boards etc. É por isso que as vezes vemos frames perdidos, cortes abruptos etc. Mas isso não é nada e nem prejudica. As transmissões da FOM tornam qualquer corrida, por mais tediosa que seja, muito mais interessante e isso ficou muito claro desde 2004, quando eles começaram a assumir algumas transmissões. Vemos brigas no pelotão do meio ou no fundão, ângulos espetaculares etc. ao invés de ficar seguindo o líder a corrida toda…

    E vc sabe se as mesmas pessoas que faziam a transmissão para o PPV até 2002 são as mesmas responsáveis pela transmissão do World Feed hoje? Acredito que uma parte deve ser, já que temos agora muitos dos ângulos de câmera daquela época e boa parte do estilo da transmissão. Evidentemente, a quantidade de pessoa é menor, já que eles não estão produzindo 6 feeds como naquela época, mas a direção deve ser a mesma… Se não me engano hj eles produzem o World Feed único, pra TV aberta e PPV que o mundo todo vê, um canal onboard, disponível na Alemanha e na Itália e geram tb um canal com a cronometragem.

    Quanto a Band, ridículo e lamentável. Só no Brasil, mesmo.

    E parabéns por ter tocado em outro ponto: o que é isso de chamarem QUALQUER corrida de QUALQUER campeonato automobilístico de QUALQUER categoria de GRANDE PRÊMIO? Até corrida de rolemã na TV brasileira acho que é chamada de „Grande Prêmio de alguma coisa“… Sério, não dá. E o pior é que não são só as emissoras. A imprensa escrita e de internet também! É um absurdo! Hoje a PlayTV, canal aberto da Band não disponível em todo o Brasil, e o Bandsports transmitem a noite o SunTrust Indy Challenge, curiosamente rebatizado de „Grande Prêmio de Richmond“… Haja paciência…

    Quanto ao Teo José, discordo da competência, mas isso é assunto pra outra hora, e da veracidade das opiniões dele. Quem o acompanhou sabe que ele muda de opinião em um segundo sobre determinada categoria ou evento, assim que a emissora em que ele trabalha transmite ou não a categoria e se ele está envolvido. Foi assim com a F1, que ele destruía até começar a narrar as provas pela Jovem Pan, com as falecidas CART e Champ Car e agora com a IndyCar. Ainda assim é melhor que o Luciano. Mas até aí minha vó as 98 anos é melhor pra narrar corridas que o Luciano…

  8. Só mais uma coisa, dentro desse assunto de se inventarem nomes para as coisas na TV brasileira: o próprio nome „Fórmula Indy“ não existe em nenhum lugar do mundo que não seja o Brasil. Foi, aliás, um nome inventado pelo Sr. Luciano do Valle, nos anos 80, quando a Band começou a mostrar a IndyCar Series. Naquela época, o „PPG CART IndyCar World Series“.

    Só não é pior do que o abominável „Fórmula Mundial“ inventado pelo Emerson Fittipaldi em 96 para rebatizar a CART depois da cisão. Não sei como tiveram coragem de colocar esse nome no Brasil (aliás, pra que? por que não chamar do nome correto???) e como até parte da imprensa escrita e de internet „comprou“ essa abominação e usou na sua cobertura. Lamentável.

  9. A gente sofre.

    Mas o Fritz Melchert é um herói. Já pensou estar no lugar dele fazendo de tudo pra peteca não cair e do outro lado….o Galvão e o Leme? ninguém merece, esse cara tem que ser canonizado.

    Mário: Todo mundo que pode quer se mandar do Brasil. Mas Fritz coitado tem que vir trabalhar aqui! É mole?

    Vamos bater de frente. Não nos deixem sós.

    PS: Essa charge do Mantovani ficou ótima.

  10. Só uma coisa, Roberto. Por enquanto a geração de imagens só acontecem pela FOM na Malásia, Bahrein, Singapura e China. Do resto são as emissoras nacionais que detem os direitos, igualemente produzem as imagens.

    O Eddie Baker continua à frente da operação, que tem pouca gente como empregados fixos, a maioria são autônomos de todos os cantos da Europa, só os melhores cameramen etc.

  11. Mário, me desculpe, mas essa informação não está atualizada. Ano passado a FOM só não fez Mônaco, Japão e Brasil. E esse ano só não faz Mônaco e Japão. A FOM assumiu todo o resto e isso é nítido pela mudança dos ângulos das câmeras nessas corridas e na própria direção. Pode perguntar a seus amigos que ainda trabalham lá. 🙂

    E quanto ao Eddie Baker, a informação que eu tinha é que ele tinha saído e tinha entrado um tal John Morrison no lugar dele, desde 2004. Tanto que foi o tal do John que sempre foi receber de 2004 a 2006, no FIA Gala, no final do ano em Mônaco, os prêmios de melhor transmissão de corrida, sempre por alguma que a FOM transmitiu. Em 2006 foi a da China, por exemplo, não me lembro as de 2004 e 2005.

    E desde o ano passado a FIA extinguiu essa categoria exatamente porque a FOM passou a fazer praticamente todas as corridas e o prêmio não fazia mais sentido.

  12. Mário, só para confirmar a informação: No primeiro número da revista virtual GP Week (aqui: http://www.gpweek.com/PDF/GP001.pdf), páginas 34 e 35, a confirmação de que a FOM fez 14 das 17 corridas no ano passado (todas menos Mônaco, Japão e Brasil) e de que fará 16 das 18 nessa ano, menos Mônaco e Japão, segundo um diretor da F1 Communications em entrevista a radio Five Live da BBC durante o útimo GP da Espanha.

    Parece que Mônaco tem vários privilégios, inclusive o de ser o único GP a vender seus próprios espaços publicitários na pista, o de não pagar taxa de promotor etc. E a TMC ainda não abriu mão de fazer a transmissão, infelizmente. Já o Japão tem a Fuji TV como title sponsor da corrida, não é… Parece que tb não querem largar o osso. Já a substituição da Globo a partir dessa ano deve ter entrado no bolo da renovação de contrato da emissora e de Interlagos como sede da prova, no final do ano passado.

  13. Acho que me expressei mal a certo ponto. Mas vou dar uma lida e tomar posição depois.

  14. Bem, neste caso, face ä informação trazida pelo Sr. Zimmermann, teremos que rever nossa posição, porque as transmissões (FOM ou não) são péssimas.

    sds

  15. Desculpe Roberto, mas o que você alega não procede. Fiquei surpreso com o seu relato e após ler a matéria da GPWeek e um telefonema hoje de manhã com um amigo da uma emissora alemã, vamos aos detalhes:

    1) Tenho lá minha dúvidas, se alguém da FOM comenta assuntos contratuais em entrevista à uma rádio emissora. Isto foge completamente do padrão FOM;
    2) o Eddie Baker continua na diretoria da FOM, responsável pela F1Communications em sua totalidade, não necessariamente pela produção;
    3) A FOM sempre produziu imagens on-bord, tanto como as filmagens na entrada e saída do pitlane, assim como aquelas dos cameramen nos boxes.
    4) A FOM sempre foi responsável pela geração de gráficos, já pra garantir um padrão universal;
    5) A FOM já tinha o equipamento digital à disposição que agora está sendo aproveitado por emissoras em transição e que começam a transmitir sinal digital, em vez de enviar equipamento próprio, muitas vezes ainda escasso. Mesmo vale pra Globo para 2008, vão aproveitar o equipamento digital da FOM.
    6)RTL, ITV, TF1 e outras grandes emissoras européias continuam produzindo o evento em sua totalidade de casa e com seus próprios diretores.
    7) O que a FOM produz, além de GP2, Porsche Supercup e algumas outras categorias preliminares, é International Live Feed. Isto é um produção por sí que o diretor local (da RTL, ITV, TF1) usa como opção e mistura com as imagens de sua própria equipe. O ILF é também o sinal para emissoras de sinal digital como a Premiere da Alemanha e o que você vê nos citados eventos, onde a TV local não tem recursos e pessoal qualificado e assim adere ao ILF na integra.

    Resumindo: A FOM não é (e nunca foi) aberta enquanto aos seus métodos de trabalho. E esta matéria do Will Buxton também está longe de iluminar algo de novo e espetacular. Muitas destas informações, inclusive sobre a função do ILF, tenho somente pelo meu trabalho ali como consultor de conteúdo.

  16. Muito esclarecedor, Mario. A gente ouve cada baboseira que dá até vergonha alheia. E Luciano do Valle narrando corrida, pelo amor de Deus… Nem perco mais tempo vendo Indy na Band, porque sei que vão cortar pro futebol.

  17. Bom, então suas informações contradizem tudo que está disponível de informação na internet e com minhas fontes. Tenho familiares trabalhando na ITV (na verdade, na North One, que produz a F1 na ITV), tenho amigos tb lá e não tenho dúvidas de que a FOM é quem produz o International Live Feed (ou o „World Feed“, como é normalmente chamado) inteiro, desde o ano passado, exceto nas provas citadas. NINGUÉM da ITV vai fazer a transmissão de Silverstone, ela está TODA a cargo da FOM. Como em todas as provas exceto Mônaco e Japão este ano. As TVs locais estão fora da jogada desde o ano passado.

    Amigos cameramens nos EUA, que fazem as provas na América do Norte, tb trabalham para a FOM em Indianápolis (ano passado) e Montreal e não mais para as emissoras locais.

    Aliás, o que mudou desde a época do PPV é isso: os cameras, por exemplo, são free-lancers, e uma parte deles é recrutada em cada país, ou continente (ásia, europa, america do norte etc), não são contratados fixos que vão a todas as provas.

    Aliás, existe algo bem fácil de notar: pegue as corridas européias (menos Mõnaco…) e veja a mudança de angulos e estilos de transmissão de 2006 para 2007 e 2008. Os ângulos da epoca do PPV voltaram e a mudança na transmissão é nítida.

    Uma dica para saber quando é a FOM que está gerando a transmissão: No replay, o gráfico das voltas restantes muda para a indicação „Replay“. Quando é uma transmissão local, as duas que teremos esse ano, isso não acontece.

    Uma curiosidade: já existe sinal HD da F1, mas sendo transmitido apenas para o F1 In Cinema, em alguns cinemas europeus. É uma imagem upconvertida do sinal que recebemos em 720p, com gráficos adaptados. E a Globo, aleluia, começou a transmitir no seu sinal digital em São Paulo, Rio e BH o sinal widescreen da F1, em 16×9, desde o GP da França. Faz toda a diferença.

    Relação das provas que tiveram a FOM como Host Broadcaster desde 2004, quando passaram a assumir algumas provas:

    2004: Austrália, Malásia, Bahrein, Canadá, EUA, China.
    2005: Austrália, Malásia, Bahrein, Canadá, EUA, Turquia, China.
    2006: Bahrein, Malásia, Austrália, Canadá, EUA, Turquia, China.
    2007: Todas, exceto Mônaco, Japão e Brasil.
    2008: Todas, exceto Mônaco e Japão.

    E Mônaco e Japão, que continuam com as TVs locais, sim, a FOM, faz, como sempre fez, on boards (disponibilizando 2 sinais de cada vez para o diretor local), gráficos e algumas imagens dos boxes. Já o diretor da FOM, nas transmissões em que ela mesma gera tudo, tem muito mais do que 2 sinais on boards para cortar. Aliás, tem todas as que estão sendo transmitidas. (o sistema mudou em 2004, deixou de ser o anel de fibra ótica da época do PPV, até 2002, ou o link de helicóptero que foi usado como back up até 2002 e em 2003 e parte de 2004, e agora é um sistema gigawave, de muito mais capacidade, com algumas antenas espalhadas pela pista, interligadas pro microondas digital, o que, aliás, tornou o sinal on board bem mais estável).

  18. Informações coletadas na internet? Ah tá. Informações detalhadas sobre assuntos internos da FOM? Sei. Fora do fato que você só repete o que coloquei antes (pitlane, free lancers, ILF, etcetc), como pode então ser contraditório…???

    Mas realmente não entendi aonde você quer chegar com isto. Afinal a matéria não trata da FOM, ela trata da falta de profissionalismo enquanto a atuação das emissoras brasileiras. Está convidado a comentar o exposto.

  19. Muito bom saber que temos mais fontes tão próximas ao mundo do automobilismo. Acho que juntando as fontes do Roberto às do Mário, estamos certamente muito abastecidos de informação de primeira.

    Não sou tão privilegiado, e não tenho amigos desta magnitude, mas certamente me sinto prestigiado em tomar ciência destes fatos.

    Se o que Roberto diz for realmente verdade e não o que disse o Mário, então, temos que as transmissões que o Sr. Gagá Bueno tanta acusa (como se fossem do local da prova) são em suma, da FOM.

    Nesse caso, até o Sr. Ecclestone teria seu rabicho de culpa…

    saudações

  20. Meu Deus! Isto aqui está ficando cada vez mais destorcido e sinistro!

    Segundo este comentário seu, o Gagá Bueno estaria então reclamando com razão, Alexandre?????

    Não sei porque ainda me dou o trabalho de escrever matérias…

  21. Não é isso não, Mário…. é que realmente temo que o Gágá não esteja tão errado quando costuma estar….

    espero que não, porque isso sim seria sinistro!

    sds

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