Há 20 anos: O erro que mudaria Senna

Com Prost e Senna cada um vencendo um GP nas primeiras duas etapas da temporada, a expectativa da McLaren era mais um duelo dos dois pela vitória. E foi um GP que mudaria a maneira de Ayrton Senna encarar a briga pelo título – para melhor.


As duas McLaren na primeira fila, até então nenhuma surpresa, pois a combinação Mclaren-Honda era comprovadamente o conjunto superior no grid. Senna larga bem da pole, Prost começa cuidadoso e prefere não arriscar e defender a posição contra o agressivo Gerhard Berger.

Com Senna na ponta e aos poucos desaparecendo de vista, o desespero de Prost cresce ao conquistar o segundo lugar e ir atrás do seu companheiro de equipe. A liderança de Senna nunca esteve sob ameaça, mesmo assim o brasileiro insiste andar no limite e, observando a sua vantagem crescer, parece querer dar uma volta no segundo colocado Alain Prost. Ao mesmo tempo a equipe vive pedindo que diminuisse o ritmo, só para garantir. Na volta 67 as cameras de TV avistam uma McLaren avariada na curva antes da entrada do túnel. É o carro número 12, o líder está fora da prova.

Senna abandona o carro e de capacete caminha os poucos metros até o residencial Houston Palace e desaparece na entrada do prédio, onde tem apartamento. Enquanto isto no box da McLaren não havia informação alguma sobre a causa do acidente. Jo Ramirez desconfiava que Ayrton, em frustração, teria se recolhido ao seu apartamento. Insistiu ligando no telefone da residência quando finalmente a empregada atendeu e respondeu que Ayrton não estaria em condições de atender. De fato Senna estava inconformado com o erro, certamente percebido como tolo e desnecessário, que lhe custou a vitória. E contra alguém tão competitivo como Prost poderia bem ser um erro decisivo no Mundial.

Viviane Senna, a irmã de Ayrton e presidente do Instituto Ayrton Senna, me contou uma vez que Ayrton estava tão profundamente abalado com o ocorrido, que voltou para o Brasil para falar com a irmã, psicóloga formada na Sorbonne, pois não conseguia entender como poderia cometer um erro grave assim. O trabalho de análise do ocorrido e como deveria ser interpretado como um sinal, que o lembraria em cada corrida, para o resto da temporada, para o resto da carreira, de focar cada vez mais, avaliar as prioridades e suprimir desejos supérfluos. Assim como querer humilhar Prost e dar uma volta em cima do francês.

É justo afirmar que depois deste acontecimento Ayrton Senna começou a se desenvolver, como o grande campeão que tornaria-se a ser, dalí pra frente. Mesmo Prost vencendo com tranquilidade em Mônaco, na frente das Ferraris de Berger e Alboreto e o excelente Derek Warwick com a Arrows, a batalha pelo título só estava para começar.

XLVI Grand Prix Automobile de Monaco – Grande Premio de Mônaco de Formula 1 de 1988, Mônaco.

Pole Position: Ayrton Senna, McLaren MP 4/4-Honda, 1m 23.998s, 142.632 km/h (88.646 mph) de média.

Resultado final: Vencedor – Alain Prost, McLaren MP 4/4-Honda, 78 laps x 3.328 km (2.068 milhas) = 259.584 km (161.333 milhas) distância total de corrida em 1h 57m 17.077s, 132.797 km/h (82.534 mph) de média.

2) Gerhard Berger, Ferrari F1-87/88C +20.453s
3) Michele Alboreto, Ferrari F1-87/88C +41.229s
4) Derek Warwick, Arrows A10B-Ford + 1 volta
5) Jonathan Palmer, Tyrrell 017-Ford + 1 volta
6) Riccardo Patrese, Williams FW12-Judd + 1 volta

Melhor volta: Ayrton Senna, McLaren MP 4/4-Honda, 1m 28.3s on lap 59 = 138.794 km/h (86.261 mph) de média.

Marcos entre os pilotos:

– 58º pódio de Alain Prost (novo recorde).

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8 Gedanken zu “Há 20 anos: O erro que mudaria Senna

  1. hehehehehe inacreditável, como pode o Senna largar o carro e abandonar o circuito indo embora pra casa? Incrível.

  2. O Senna foi um baita piloto, sua força mental era sensacional, apesar de eu preferir Piquet a Senna. O Ayrton em volta de classificação acho que foi o melhor de todos os tempos, só em ritmo de corrida que ele não era o melhor.

  3. Bem seu Gustavo, nao acompanhei essa epoca do Senna e do Piquet, vi o senna correr, mas nao entendia quase nada, e entendo muito pouco hoje :)… Pensei tambem que vc fosse contemporaneo meu…
    Mas com esse seu comentario parece-me que o Senna, segundo vc é parecido com o Massa… Prefiro nao acreditar nisso, tambem pelo fato de ter visto videos do Senna e de ele ser Tri, com um fim de carreira forçadamente antecipado…
    abraços

  4. Eu apenas disse que o Senna em volta rápida foi o melhor e que em alguns momentos perdia o foco, ou arriscava de mais na corrida e perdia. Eu não vi os dois correrem no entanto pequei várias fitas sobre cada temporada dos anos 80 e tirei a minha conclusão.

  5. Acho que se pode dizer que a maior vantagem de Prost sobre Senna era a frieza. Mas se considerarmos a capacidade que ele tinha de dar voltas rápidas, correr na chuva como ninguém nunca consegui, consegue ou vai conseguir e ultrapassar sem perder muito tempo, faz o ritmo de corrida ser melhor que o de qualquer um.

  6. A velocidade de Prost em corrida é frequentemente subjulgada pela sua pilotagem polida. Até Schumacher pulverizar todos os recordes, o francês era o recordista absoluto de voltas mais rápidas, com 41 registros. Em tempos onde se largava com tanque cheio, isso é um indicativo de que Prost administrava muito bem o equipamento e tinha muito gás pra queimar no final da prova. Just my two cents…

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