Há 15 anos: Senna e o show de Donington

Apesar da supremacia das Williams-Renault com a sua tecnologia superior, Ayrton Senna chegou ao Reino Unido como líder do Campeonato Mundial. Com o tempo em Donington esteve miserável na maior parte do fim-de-semana, o Brasileiro tinha cada motivo para acreditar que poderia enfrentar o poderoso conjunto Franco-Britânico.


Apesar do tempo ameaçador na maior parte do fim-de-semana em Donington Park, para o dono do circuito Tom Wheatcroft, ser premiado com o GP da Europa de 1993 foi um antigo sonho tornando-se realidade e o local recebeu sinal positivo dos fãs e dos pilotos também. No paddock o fuxico da hora era: Ayrton Senna e Ron Dennis estão em um impasse com relação a sua situação contratual, o Brasileiro está agindo como um agente até o momento. E o outro diz respeito a Ivan Capelli. Parece o final da linha para o Italiano ao ver Thierry Boutsen ocupar seu assento na Jordan. Duas equipes mostram seus novos carros, a Benetton apareceu com a versão “B” revisada de seu B193 e a Arrows, ahn, desculpem-me, Footwork apresenta seu novíssimo FA14.

Depois de uma sexta-feira chuvosa, pelo menos na classificação de sábado estava mais seco e sendo assim Alain Prost e Damon Hill dominaram, e como esperado nesta sessão eles colocaram as suas Williams-Renault na primeira fila do grid. Michael Schumacher ultrapassou Ayrton Senna pelo 3º lugar, Karl Wendlinger impressionou com o 5º lugar pela Sauber à frente de Michael Andretti em segundo lugar com a McLaren. JJ Lehto no segundo carro da Sauber, os pilotos da Ferrari Gerhard Berger e Jean Alesi e Riccardo Patrese no seu carro da Benetton completaram o top 10.

O dia de corrida estava chuvoso e no mínimo um homem estava sorrindo por trás do visor. Ayrton Senna construiu uma fina reputação por seu incrível controle do carro no molhado. Algo que remete aos seus dias de kartista. Sempre que a chuva estragava o joguinho de futebol das outras crianças, Ayrton saía para brincar no kartódromo de Interlagos, quase de uma maneira teimosa, até que ele conseguiu pegar o jeito de andar rápido no molhado sem rodar. E que exibição veríamos naquele dia. Os pilotos da Williams largaram bem enquanto Michael Schumacher fez uma manobra de bloqueio em direção a Senna que resultou com a ultrapassagem de Wendlinger em ambos. A ordem de corrida após a primeira curva: Prost, Hill, Wendlinger, Schumacher e Senna lado a lado, depois Andretti.

Agora se inicia o que fez desta primeira volta do GP da Europa de 1993, um dos mais memoráveis momentos da história da Formula 1: Senna ultrapassou Schumacher na saída da Redgate Corner, ficou lado a lado através de uma arrebatadora rapidez na Craner Curves com Wendlinger e passou o Austríaco freando na antiga Hairpin. O piloto da McLaren aproximou-se de Damon Hill na parte alta e o ultrapassou na Coppice Corner. Prost está na liderança, Senna o alcança rapidamente. Inacreditável: Uma suave oscilação ao frear, Prost perde um pouco na saída da chicane e Senna aproveita, mergulha na Melbourne Hairpin por dentro e o ultrapassa no freio. De quinto a líder da prova, com uma volta em condições traiçoeiras, um daqueles momentos de raça, marca Senna.

O companheiro de equipe de Senna não estava indo bem. Disputando posição com Wendlinger o Americano acabou colidindo com o piloto da Sauber na Coppice e ambos terminaram na brita aumentando o número de abandonos na primeira volta a três em três GPs para Andretti. “Valeu”, deve ter sido a reação de Rubens Barrichello que era o quarto colocado no final da primeira volta como uma conseqüência da saída. Na frente Senna rapidamente colocou uma vantagem de sete segundos entre sua McLaren e os oponentes.

Com a pista começando a secar, Senna estava entre os primeiros a ir para os boxes. Prost assumiu a liderança, mas teve que segui-lo, assim como Hill. Porém logo, ambos os pilotos da Williams retornaram aos boxes assim que o próximo aguaceiro aproximou-se. Senna esticou um pouco mais seu stint com pneus slicks por mais quatro voltas e administrou a troca sem perder a liderança. Schumacher tentou fazer o mesmo, mas rodou.

Prost retornou aos boxes para colocar os slicks sendo seguido por Senna e Hill, mas desta vez a equipe de Senna teve um problema e ele perdeu 20 segundos. Prost estava na liderança novamente. E então veio a chuva de novo, Prost e Hill mudaram para pneus de chuva. Desta vez Senna ficou com os slicks. Esta foi a decisão certa porque conforme a pista começou a secar, mais uma vez as duas Williams-Renaults não puderam acompanhá-lo. Eles tiveram que parar para voltar aos slicks. Desta vez o francês deixou o motor Renault apagar e perdeu muito tempo. Ao voltar a pista já tinha tomado uma volta de Senna.

Barrichello estava em segundo e e bem sossegado na corrida embora eventualmente ele tivesse parado para colocar os slicks. Assim que ele retornou a chuva começou a cair torrencialmente e então teve que voltar para colocar os pneus slicks. Senna também veio logo após, mas a equipe McLaren não estava pronta e ele passou pelos boxes. Detalhe: Logo esta foi creditada mais tarde como a melhor volta da corrida devido ao trajeto mais da entrada dos boxes.  Quando ele estava a completar a próxima volta a chuva tinha diminuído e Ayrton decidiu permanecer com os slicks.

Hill estava rápido agora, mas muito longe e tudo que ele poderia fazer era recuperar uma volta. A chuva veio novamente nas voltas finais e Senna decidiu que não arriscar até a bandeirada. Hill e Prost fizeram o mesmo. Barrichello era o terceiro de novo, mas na volta 71 sua pressão de combustível caiu e ele abandonou depois de uma impressionante apresentação. Prost desta forma terminou atrás de Senna e Hill com Johnny Herbert em quarto com a Lotus à frente de Patrese com a Benetton e Fabrizio Barbazza que pilotou muito bem pela Minardi tirando o último ponto da classificação de seu companheiro de equipe Christian Fittipaldi.

GP da Europa de Fórmula 1 de 1993, Donington Park, Reino Unido.

Pole Position: Alain Prost, Williams FW15C-Renault, 1m 10.458s, 205.552 km/h (127.751 mph) de média.

Resultado da corrida: Vencedor – Ayrton Senna, McLaren MP4/8-Ford, 76 voltas x 4,023 km (2,500 milhas) = 305.748 km (190.023 milhas) total de distância da corrida em 1h50m46.570s.

2) Damon Hill, Williams FW15C-Renault + 1m23.199s
3) Alain Prost, Williams FW15C-Renault + 45.436s
4) Johnny Herbert, Lotus 107B-Ford + 1 lap
5) Riccardo Patrese, Benetton B193B-Ford + 1 lap
6) Fabrizio Barbazza, Minardi / Ford + 1 lap

Melhor volta: Ayrton Senna, McLaren MP4/8-Ford, 1m 18.029s na volta 57 = 185.608 km/h (115.356 mph) de média.

Marcos:

– Primeiro GP de F-1 no circuito de Donnington apresentando um novíssimo traçado.

Marcos entre os pilotos:

– Ayrton Senna liderou um GP pela 81ª vez (novo recorde)

– Ayrton Senna já liderou 2794 voltas em um GP (novo recorde)

– Alain Prost terminou 117 GPs no Top 6 (novo recorde)

– 244º GP de Riccardo Patrese (novo recorde)

– 25º GP de Michael Schumacher.

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4 Gedanken zu “Há 15 anos: Senna e o show de Donington

  1. Aquela foi uma corrida sensacional. E um presságio do que seria a carreira de Rubens Barrichello.

  2. Corridaça do Senna. Eita tempo bom… pilotos lendários, jovens promessas que se firmaram ou ficaram pelo caminho – Schumacher no primeiro caso, Barrichello de uma certa forma e Wendlinger no último. Aliás, aquela batida em Mônaco selou a carreira do austriáco na F1. Por onde anda agora? Ainda corre?

  3. Wendlinger, salvo engano, está na Le Mans Series. Até ensaiou um retorno à F1 pela Sauber, mas seu desempenho ficou muito aquém de sua capacidade demonstrada anteriormente.

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