Lembranças – Elio de Angelis faria 50 anos hoje

Elio de Angelis, 1986 Além de piloto vitorioso na F1, Elio de Angelis era um jovem extremamente educado, um pianista clássico primoroso, esportista habilidoso com a raquete de tênis ou nas pistas de esqui, piloto veloz e ao mesmo tempo suave em sua pilotagem. Sofria nas mãos de companheiros de equipe como Mansell, Senna e Patrese, mais agressivos, mais espetaculares dentro de pista e polêmicos fora dela. Elio faria 50 anos hoje, nasceu 26/03/1958 em Roma, Itália, e faleceu em um acidente enquanto testava o radical e problemático Brabham BT55 em Paul Ricard.


Os chefões da Formula 1 tomaram conhecimento do nome Elio de Angelis pela primeira vez quando o piloto romano terminou o GP de Formula 3 de Mônaco de1977 em 2º lugar, só perdeu para Didier Pironi. Ainda mais porque este clássico foi somente a sua quarta corrida de automóvel! Vitórias em Monza e Misano garantiram o titulo de campeão italiano de F3. Naquele mesmo ano ainda estreou na Formula 2 com a Scuderia Everest de Giancarlo Minardi e chegou a liderar na sua estréia na categoria.

Elio de Angelis, Shadow DN9B, 1979 British GP

Em 1978 começou a temporada com um Chevron B42 da Scuderia Everest, mas com o motor do Ferrari Dino não tinha como vencer corridas. Então Elio resolveu dar um passinho pra trás e participar novamente no GP de F3 de Mônaco, uma vitória naquele clássico era considerada naquela época como bilhete ingresso para a Formula 1. E funcionou. Não só venceu como também fechou contrato com a Shadow para estrear a temporada seguinte na categoria máxima com apenas 20 anos de idade. Conquistando o 4º lugar no GP dos EUA com o material inferior em Watkins Glen, o piloto romano chamou atenção dos demais chefes de equipe.

E foi com Colin Chapman que o italiano fechou para a temporada de 1980. No GP do Brasil, sua segunda atuação pela Essex-Lotus, já conquistou o 2º lugar e entrou para o livro de recordes: Com 21 anos, 10 meses e dois dias de idade tornou-se o piloto mais jovem a conquistar um pódio. Um recorde que permaneceria intacto durante 17 anos. Mas a Lotus já não estava mais no auge, outro sucessos demorariam em chegar.

Keke Rosberg & Elio de Angelis, 1982 Austrian GP

No GP da Áustria de 1982, em Zeltweg, de Angelis comemorou a sua primeira vitória na F1 com uma das menores margens de vitória ao segundo colocado da história da F1. Foi a última vez que Colin Chapman iria prestigiar com o famoso gesto de jogar o seu famoso boné ao alto, pouco depois o gênio da F1 iria falecer. Foi igualmente a penúltima vitória da Cosworth na F1.

Em 1983, já sem Colin Chapman, a Lotus já está em certas dificuldades. Mesmo usando os motores Renault V6 turbo, a Lotus 93 T não se mostrou como carro de ponta. Mesmo assim De Angelis conquistou a sua primeira pole position no GP da Europa, em Brands Hatch.

1984 começou com o 3º lugar no GP do Brasil largando da pole e uma série de bons resultados leva o italiano a liderar o campeonato, mas o 2º lugar em Detroit permanece o melhor resultado do ano. Sem vitórias, 3º lugar na tabela, uma pole e quatro pódios tornariam esta a melhor temporada de sua carreira. Ainda porque Ayrton Senna ingressou na Lotus em 1985, o que não impediu Elio de vencer em Imola e conquistar a pole no Canadá. Mesmo assim, Senna começou a assumir o controle dentro da Lotus.

Elio de Angelis, Brabham BT55, GP San Marino 1986

Inconformado, de Angelis aceitou a proposta de Bernie Ecclestone de correr pela Brabham em 1986 ao lado do conterrâneo Ricardo Patrese com o radical baixo BT 55. Um carro problemático e difícil de „sentir“ devido à posição deitada. O GP de Mônaco, no qual largou do ultimo lugar no grid, foi uma das piores corridas na carreira do italiano. Ele precisava entender os problemas que sofria com o BT55 pediu para poder testar em Paul Ricard. Em 14 de Maio de 1986 a quebra do aerofólio traseiro a 290 Km/h fez o carro sair do chão e capotar nas redes de proteção. Virado pra baixo e enroscado nas telas de arame, o motor incendiou-se.

Alan Jones e Nigel Mansell, que também estavam testando, tentaram desesperadamente apagar o fogo. Longos minutos depois conseguiram resgatar o piloto com a ajuda dos mecânicos da Brabham. De Angelis acabou falecendo na madrugada do dia seguinte em conseqüência de danos cerebrais por asfixia em um hospital em Marselha.

Nasceu: 26 de Março de 1958 em Roma na Itália.
Faleceu: 15 de Maio de 1986 em Marselha na França aos 28 anos

P.S. Esta homenagem levou praticamente o dia inteiro para ser constituída porque a „carroça“ que é TIM Web impedia qualquer trabalhao sério. Pudera… à 15 (!) kbps de velocidade…

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9 Gedanken zu “Lembranças – Elio de Angelis faria 50 anos hoje

  1. Mario, suas reclamações seriam cômicas se não fossem fruto da trágica realidade…

    Depois de tanto tempo na Europa, vai ser difícil você se reacostumar a viver aqui. Mas espero que aconteça o que acontecer, este site sobreviva aos percalços de viver no Brasil-sil-sil.

  2. Não vou me acostumar NUNCA com isto. Aliás, nem vou precisar me acostumar. Mas pretendo discutir o futuro do blog em post extra amanhã, OK?

  3. Olá Mario!

    Seu blog é espetacular, parabéns!!

    Sou um grande apaixonado pela F1, principalmente pela parte técnica. Estudo Engenharia Aeronáutica e adimiro muito o trabalho dos engenheiros da F1, principalmente os aerodinamicistas.

    O Brabham BT55 é um carro que muito me interessa: O projeto do Gordon Murray foi radical para época um fracasso em 1986. Mas dois anos depois, na McLaren, o Murray aplicou os conceitos do BT 55 no MP4-4 que foi um carro espetacular. Você sabe quais os problemas principais do BT 55? E como o Murray os solucionou na McLaren?

    É verdade que o BT 55 foi projetado para o Piquet?

    Um detalhe interessante sobre o De Angelis é o seu capacete: ele usou por varios anos um capacete estilo Darth Vader,com a região do queixo meio quadrada, que se não me engano o Emerson também usou. A pintura que o Alesi usa é uma homenagem ao De Angelis?

    Obrigado

    Parabéns novamente

  4. Ótima lembrança do Elio de Angelis, bom piloto e um dos últimos gentlemen da F-1. Apenas uma ressalva: a última vitória de um Cosworth DFV na categoria não ocorreu com Elio de Angelis, em 1982, em Zeltweg, mas no ano seguinte, com Michele Alboreto, no GP dos Estados Unidos, em Detroit, a bordo de um Tyrrell, correto?.
    Um abraço e uma ótima semana a vc, Mario, e aos demais companheiros de Blog!

  5. É, não é nenhuma Samsonite…. justamente por isto perdi a paciência de vez com a mala tupiniquim desta Cintia Cruz (credo).

    Pela primeira vez na história deste blog apaguei um comentário! Porque isto aqui – garanto – não vai virar o barraco da Dona Cintia.

    Aliás, a princípio sabia desde o início o que falta na vida desta infeliz. Pra tirar a dúvida, entre você mesmo no Google, pesquise por „CintiaCruz20“. Toda a web, não só páginas do Brasil. Tem que ler os depoimentos com atenção até o final, viu…?

    Interessante, não é…? 😀

    Se for macho pra encarar o treco e estiver à fim, dá uma investida. Quem sabe o humor dela melhora depois de um fim de semana do jeito que ela gosta. Quem sabe vários de uma vez só ajudariam a recuperar o atraso da mal-amada.

    P.S. Ciente que uma psicopata como você, Cintia, vai voltar para se gabar com seu próprio post: Desencanei de perder mais dinheiro ainda contratando caloteira pra processar picareta!!! Ou adianta processar uma zézinha ninguém individada…? Tenho coisa melhor pra fazer da vida. E com isto se encerra o papo, bagagem sem alça!

  6. Desculpe Hugo, respondendo as suas perguntas:

    O chassi do BT55 tinha problemas de torção e, pior, a BMW queria sair da F1, mas o Ecclestone os obrigou a cumprir o contrato. Portanto entregaram motores, mas não desenvolveram aquela versão deitada, criada especialmente para o BT55. E sim, a expectativa era o Piquet pilotar a coisinha. Mas quando soube da retirada da BMW se mandou para a Williams.

    Na McLaren simplesmente aperfeiçoou a área em volta do cockpit, embutindo mais curvaturas e assim tornando o chassi mais rígido.

    Enquanto ao capacete citado por você, era do fabricante americano Simpson e estava na moda no início dos anos 80. Até que alguns acidentes fatais – como o do alemão Hans-Georg Bürger – geraram dúvidas enquanto à sua resistência. Ele acabou sendo substituído por um modelo diferente, mais parecido com o popular Bell.

    E o Vitor já afrimou corretamente, é uma homenagem sim.

  7. Sobre o carro da Brabham, ouvi dizer que Nelson Piquet teve participação direta no projeto „skate“, pois, em uma corrida de F3, teve enorme melhora no desempenho ao retirar do carro as laterias do cockpit e diminuindo o tamanho dos retorvisores.

    Aliás, diz a lenda que ao ver o Lotus de 1988, Piquet de imediato sabia que não seria campeão, pois acreditava no desempenho dos carros mais baixos, exatamente como a Mclaren que deu o título a Senna.

    E, finalmente, a minha eterna dúvida acerca do capacete de Elio De Angelis (sobre a viseira) foi finalmente resolvida.

    Valeu.

    PS. Mário, o que você sabe sobre a transferência de Senna para a Mclaren e de Piquet para a Lotus (sem interrogação porque n me entendo com o teclado) É verdade que Piquet foi convidado para Mclaren antes de Senna (. Se você conhece a história, bem que poderia escrever um post sobre o assunto. O tema no livro do Ernesto Rodrigues é muito mal abordado.

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