Analise de pré-temporada 2008 – 5ª parte: Tempos de testes

De La Rosa, McLaren MP4-23 Depois de dias e até semanas de problemas sem fim com conexões de internet, fiquei devendo esta análise final. Ela já estava pronta para ser publicada há uma semana atrás, mas… Enfim, aqui a 5ª e ultima parte da análise de pré-temporada 2008.


Vocês devem ter notado como todo tipo de equipe acabou surgindo em um ou outro momento no topo das listas de melhores voltas durantes os testes de pré-temporada. Vimos o Alonso marcar a melhor volta em seu retorno à Renault em meio a uma performance dominante da Ferrari. Tanto a Red Bull como a Toro Rosso marcaram melhores voltas, a Williams até colocou ambos Rosberg e o novato Nakajima no topo das listas certo dia. De repente o Trulli surge como o mais rápido com a Toyota, só para finalmente ser superado por Hamilton e sua McLaren. Isso tudo indicaria que 2008 seria o campeonato mais disputado da história da Formula 1? Claro que não.

O que acho realmente estranho é como tanta gente ainda acredita poder interpretar algo destes tempos. Um carro de F1 é montado com milhares de peças, todas elas desenhadas e fabricadas individualmente e uma vez parafusadas umas às outras formam este conjunto complexo de tecnologia de ultima geração. Para saber se tudo funciona, inicia-se o roll-out, as primeiras voltas em pista do novo veículo. Vamos fazer de conta que tudo vai bem de primeira, o que não é necessariamente normal, aí é que o verdadeiro trabalho começa. A partir das informações teóricas que as equipes têm em mãos a partir de softs de simulação e os números obtidos com o trabalho no túnel de vento, o carro recebe um acerto base conforme ao que estes números sugerem seria a melhor opção. É um tiro no escuro, mas um tiro calculado. Uma vez que o piloto deu as suas primeiras voltas sem maiores problemas, começa a testar a maquina no limite e retorna aos boxes com as suas primeiras impressões.

BMW F1.08

Em um mundo perfeito este carro inteiramente novo obedece bem obediente a todos os comandos do piloto conforme esperado. Acelera sem patinar muito, a mudança de marchas funciona sem enguiços, reduzir também. O carro é estável sob freada forte, vira de acordo com o comando do piloto no volante, percorre qualquer curva bem equilibrado, não interessa se é um hairpin ou o “S” de Eau Rouge em Spa. Ah, não esqueçam de temperatura e pressão do todo tipo de liquido, tudo no verdinho de cara, nada de superaquecimento, o carro é capaz de manter todos os padrões necessários durante dezenas de voltas sem mudar as características. Sei, sei. Infelizmente no mundo real a história não é bem assim.

A expectativa que um protótipo, após somente meio ano de projeto, produção de peças e algumas semanas de primeira montagem, saia da fábrica como um carro de corrida de perfeito funcionamento, é no mínimo um equivoco otimista. Não me lembro de nada tão simples assim nesta indústria. E, francamente, é pedir demais. Afinal estamos falando de carros projetados para uso em pista fechada, com a melhor relação peso potência e de uma categoria com uma sofisticação tecnológica sem igual neste mundo. Levando isto em consideração, não tem como não se entregar a uma profunda admiração pelo nível alcançado, pela eficiência conquistada pelas equipes de Formula 1 de hoje, que produzem estes mísseis de alta tecnologia com muita competência.

Na verdade todas as equipes e seus engenheiros já sabem no momento que o novo “bebê” volta aos boxes depois das primeiras voltas de “pé em baixo”, que vem mais trabalho pela frente. Você vê equipes se juntando em circuitos de livre escolha para “afinar” pela primeira seus mais novos “instrumentos”, estas maravilhas da tecnologia do século 21. E levando em consideração que nenhum carro é como o outro, torna-se uma conclusão evidente que o retorno que os pilotos fornecem aos engenheiros será diferente também. Às vezes até mesmo dentro de uma só equipe. Assim sendo, cada equipe começa a “consertar” aquilo no carro que pede uma melhoria. Às vezes pequenas mudanças são aplicadas para verificar o efeito de tais modificações, seja em termos de acerto, seja em termos de trocar peças e partes do carro.

Lewis Hamilton, McLaren MP4-23

Este é o momento no qual as agendas das diversas equipes fogem de certa sintonia inicial. Alguns têm a prioridade de resolver problemas de dimensionamento nas asas dianteiras (Williams), outros têm um livro inteiro de probleminhas as resolver e de trabalhar em cima do pacote aerodinâmico (BMW), o problema de carros saindo de frente é freqüente (Toyota, entre outros) e há aqueles que estão desesperados de fazer seus carros andarem mais (Honda). Com tudo isto em mente, como poderiam possivelmente as equipe de F1 estarem na mesma altura de desenvolvimento dos seus carros, no mesmo ritmo de melhorias mostrando efeito? Porque alguém consideraria tempos cronometrados nesta diversidade de situações reais como parâmetros validos para avaliar quem está bem, quem está melhor e quem está longe? Não tem como.

Para entender melhor quem está testando o que e quando foram para a pista com que tipo de configuração, você precisaria saber primeiro, quem está na pista com qual quantidade de gasolina no tanque. Só tem um probleminha: Eles, os engenheiros das equipes, não vão te contar. Outro detalhe relevante a averiguar, seria descobrir se as devidas equipes ainda estão na fase de avaliar certos probleminhas ou se já progrediram além deste ponto e estão usando as versões finais de seus pacotes aerodinâmicos. A esta altura só resta conversar com aqueles que acompanharam atentamente a evolução de cada carro, os tempo que cada carro marcou e quando havia uma melhora significante no tempo marcado na pista por esta ou aquela equipe, sugerindo uma simulação de treino de classificação.

Neste inicio de temporada a Ferrari parece representar uma vantagem assustadora enquanto ao quesito de freadas bruscas, mas também é competente na saída das curvas sob aceleração. Para uma volta só, a McLaren parece oferecer com o MP4-23 um carro de excelente comportamento nas curvas. Seu ponto fraco: Acaba muito rápido com os seus pneus traseiros em distancias mais longas. Algo que não parece representar um problema à Renault. Com um carro bem acertado para a distancia de um GP, Alonso parece ter equipamento em mãos para brigar com os vermelhinhos. Mas o bicampeão terá que brigar para classificar o R28 perto da primeira fila. A BMW? Ainda estão se acertando, passando noites em claro lá na fábrica. Quem sabe eles não chegam a brigar na altura da McLaren e da Renault. Com a Williams e a Red Bull mordendo as canelas.

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6 Gedanken zu “Analise de pré-temporada 2008 – 5ª parte: Tempos de testes

  1. Muito esclarecedor. Quer dizer então que, caso a McLaren não resolva seu problema de desgaste acelerado nos pneus traseiros, será comum nas corridas os pneus „dechaparem“ (perdoe-me se escrevi errado)? E isso não se agravará com o banimento do controle de tração? Caso afirmativo, a idéia da equipe de aumentar a distância entre-eixos de seus carros, com a intenção de adquirir maior velocidade nas pistas de alta, como Barcelona, Indianápolis e Monza, não levará grande vantagem com relação à Ferrari, já que os pneus traseiros desta sobreviverão por mais tempo, permitindo o melhor desempenho, certo? Isto me leva a crer que a Ferrari terá vantagem em situação de corrida, pelo menos no começo da temporada.

  2. Pois é, Mario: ao que tudo indica chegou a hora da verdade para sabermos quem construiu carros de classificação e quem tem os verdadeiros carros para disputar GPs, graças ao fim do controle de tração. Para mim, também, esses treinos pré-temporada nunca significaram muita coisa como parâmetro para avaliar quem está bem ou não, mesmo porque algumas equipes „nanicas“, nessa época, ainda estão buscando patrocínios e precisam aparecer bem…
    No fim das contas, esse barulho todo em torno da pré-temporada me parece puro marketing e conversa para vender jornal. Mais tarde, na classificação em Melbourne, teremos a hora da verdade.
    Parabéns pelo Blog e por suas análises sempre lúcidas e técnicas!

  3. NOSSA! Quantos erros gramaticais…! Dei um corregida depois de uma manhã de sono…

    Enfim, pelo que parece está todo mundo na m…. com os pneus macios, que formam macarrãozinho já depois de uma volta. Até mesmo a Ferrari está na „macarronada“, mas não a McLaren…

    Aida é cedo, já que a pista não oferece ainda uma boa aderência, mas o quadro no momento parece – pelo menos para a classificação – favorecer a McLaren. Enquanto a Ferrari, Renault e BMW parecem estar em apuros.

  4. No ano passado a classificação também foi um dos problemas da Ferrari, tinha um carro extremamente consistente em corrida mas que perdia um pouco para a Mclaren em treino. Mario, em quem você aposta para ser campeão nesta temporada? Eu particularmente aposto no Kimi com Kovalainen em seus calcanhares.

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