Trocando lembranças com Harald Grohs

harald-grohs-bmw-320i-gr5-nurburgring.jpg Nos bastidores nas recentes Mil Milhas de Interlagos apareceu um dinossauro do automobilismo internacional que participou de mais de 50 corridas de 24 horas, ex-piloto das equipes de fábrica da BMW e Porsche, velho amigo de Stefan Bellof e, sendo assim, alguém com quem tinha bastante assunto a conversar: Harald Grohs.

Encontrar o Harald Grohs no saguão do Hotel Caesar Park foi uma surpresa e tanto. Afinal o alemão se aposentou há alguns anos e mesmo da sua ainda existente equipe do Porsche Supercup não tinha ninguém em ação lá em Interlagos. O que o trouxe à São Paulo? Ele e o amigo Alwin Springer, ex-chefe da Porsche EUA, decidiram encontrar com o velho companheiro Norbert Singer, ex-diretor esportivo da Porsche. De certa forma uma cúpula de veteranos da Porsche.

O Singer, aliás, estava em Interlagos à trabalho. Acredite se quiser. Mesmo aposentado, este dias comemorou o 68º aniversário, trabalha como conselheiro técnico para as equipes privativas atuando com maquinas da Porsche. O Alwin só chegaria 5ª-feira à tarde, então convidei o Harald para o jantar e, já que Caipirinha e Rodízio não lhe diziam nada, fiz o típico programa de introdução nas vantagens culinárias do nosso país. Posso adiantar que agora existe mais um viciado. Tanto na caipirinha como na picanha.

Harald Grohs & Mario Bauer, São Paulo 2007

Não tinha visto o Harald desde 1997 em Silverstone, quando eu ainda cobria a F1, DTM e Porsche Supercup, categoria em que ele manteve uma equipe na época. Ambos viajávamos de motorhome e o Harald era um gênio de organizar um espaço para ficar no paddock. Algo que o Bernie Ecclestone detesta. Ele quer um evento sofisticado, nada de acampamentos e motorhomes. O David Coulthard e o Jacques Villeneuve não conseguiam um cantinho dentro do autódromo para os seus palácios rolantes, mas o Harald e eu estávamos lá, no meio do gramado de Silverstone, assando um belo churrasco enquanto os outros enfrentavam engarrafamentos sem fim.

Um tema em comum é o Stefan Bellof, para os alemães era o futuro campeão mundial de F1. Eu corri contra ele em duas corridas do campeonato internacional de FF-1600, enquanto disputava o titulo no campeonato nacional. Sobre isto conto algo amanhã. Apesar de concorrente, era alguém que respeitava. Era de forma recíproca, embora era o novato que chegava lá e logo brigava lá na frente com ele. O Harald o conheceu alguns anos depois e os dois se tornaram grandes amigos.

Angelika Langner & Stefan Bellof, 1984

Impossível não falar do fatídico 1º de setembro de 1985. Harald estava ao lado do Stefan nos boxes, ele pode ser visto na entrada de Boutsen para a troca de pilotos. Pouco depois a tragédia. Harald disse que o maior trauma era impedir a noiva de Stefan, a alemã Angelika Langner, de correr para o local do acidente. Ela teve um ataque de nervos, passou mal, Harald a acompanhou junto ao médico da Porsche para sedá-la. Lembro até hoje o estado em que Angelika estava no enterro do Stefan em Giessen.

Ela fugiu para a África do Sul e só voltou após vários anos para a Alemanha. Harald sempre cuidou bem dela e não era grande surpresa quando se tornaram um casal. Após anos de namoro Harald me contou que finalmente casaram. Recentemente ambos participaram de um evento do fã clube Stefan Bellof, que pesquisou, procurou e achou o PRS Formula Ford com o qual Stefan foi campeão. Agora estão reformando o carro para exposições.

O próprio Harald vai muito bem, obrigado, depois de vencer o Porsche Carrera Cup aos 51 anos em 1995, fundou a própria equipe e se aposentou do volante em definitivo no final de 2000. Ele até hoje é contratado pela BMW e a Porsche para organizar todo tipo de eventos. Foi piloto de fábrica para ambas as marcas, e em parallelo ainda, algo que em si merece respeito. E as histórias que me contou resultarão em mais alguns parágrafos na minha série “esses alemães”, que em breve vou retomar. Um garotão de 64 anos, Harald foi divertido, cheio de animo e idéias a realizar. Um destes planos pode envolver o autor deste blog. Mas isto a gente conta mais pra frente, quanto for a hora certa.

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6 Gedanken zu “Trocando lembranças com Harald Grohs

  1. hehehe,

    quando trabalhava numa produtora web americana aqui no RJ levamos uma vez parte da chefia que estava de visita a filial e tinha de tudo, inglês, alemão e americano e para tirar os caras de lá de dentro da churrascaria foi um custo, acho que nunca tinham visto tanta comida e tão barato (para os padrões deles é claro).

    me lembro que Peter, o inglês da turma, era branco que nem cera, mas depois de sei lá quantas caipirinhas e inumeros pedaços de picanha, maminha, chuleta, cupim etc… parecia que ia explodir de tão vermelho que estava. hehehe

    uma vez levamos um japones tb, a cara do sujeito era de total incredulidade, simplesmente acho que ele não concebia um lugar onde houvesse os garçons ficassem andando para lá e para cá com aqueles enormes pedaços de carne e podendo pegar a vontade, literalmente perdeu a linha e mandou ver em tudo ainda mais depois de umas caipirinhas hehehe

    Boas lembranças e agora deu a maior vontade de ir numa churascaria tambem 🙂

  2. Huahua, foi bem por aí também na vespera do GP com a galera do paddock da F1. Mas disso não existem fotos,não vou expor as minhas fontes… =D

  3. Era o que eu iria lhe perguntar Bauer, se você tinha conhecido Stefan Bellof, você conheceu, e não sei se é um exagero, mas você conheceu e correu com alguns dos maiores pilotos da história, o Ayrton Senna e o Stefan Bellof.

    Abraços

  4. Os dois. O que hoje é uma lembrança muito forte e me sinto privilegiado por isto. Embora na época, é claro, eram adversários que queria derrotar. Não tem como ser piloto e não sentir este desejo.

    Claro que foram eventos singulares, mas estou aguardando se consigo recuperar algumas fotos de lá da Alemanha, que ao longo de muitas mudanças acabei perdendo. Caso consiga, tenho um post em mente comparando os dois.

  5. Mário,

    Desculpe, é off topic, vou acabar atrapalhando o post, mas acabei de ver o seu comentário sobre o rfactor e os os games lá no BLOG do Ico.

    Cara, vc PRECISA publicar a matéria ou escrever a respeito disso aqui. Como escrevi lá, adoro o GP4, mas seria espetacular saber de vc que é piloto, o grau de realidade desses jogos.

    Desculpe atrapalhar o seu post, mas acho que é algo muito interessante de se abordar!

    Abraços.

  6. Nem um pouco, Becken, até pretendo publicar o teste que fiz sobre jogos de PC, X-Box e Playstation para a revista „Motorsport Aktuell“. Mas como eles pagam, tenho que esperar a publicação sair primeiro.

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