GP Brasil – O resumo (4ª parte)

Jacky Eeckelaert, 2007 Na minha época de jornalista cobrindo a F1 sempre preferi conversar sobre a parte de técnica com engenheiros do que com pilotos. Há mais lógica no discurso deles, se esquivam menos em defesa própria. Não foi diferente com o Jacky Eeckelaert em Interlagos.


Como já explicado no post anterior, Jacky Eeckelaert é ex-piloto como eu e uma colega dos bons, mas velhos tempos da Formula Ford européia. Temos então uma base mais pessoal para lidar com os assuntos. Muitas vezes você recebe uma explicação acompanhada da frase “mas isto você não divulga”. Bem que dá pra imaginar que sobre a temporada de 2007, na Honda não vão querer nada sendo divulgado. Mas não é o caso.

Logo Jacky prontamente admite que não somente o carro deste ano foi um lixo, mas também o organograma, a estrutura na parte de recursos humanos do departamento de engenharia, foi uma das causas desta temporada desastrosa. Heranças de Geoff Willis, que achava que uma equipe pequena seria melhor de administrar e que CFD (Computational Fluid Dynamics = soft de simulação de fluxo em superfícies) não tem importância para o desenvolvimento de um carro.

Computanional Fluid Dynamics

Com a promoção para diretor de engenharia Jacky pôde influenciar o crescimento desta área, a aquisição de um CFD de ultima geração dará a volta por cima no carro de 2008, ele garante. Ainda porque o túnel de vento novo, cuja calibração não estava terminada e causou os erros de interpretação de dados ali coletados, está agora funcionando perfeitamente. “Um soft CFD sofisticado poderia nos ter ajudado a descobrir que algo não vai bem antes de finalizarmos o projeto do RA107”.

A pergunta que não quer calar: Se o RA107 logo foi reconhecido com uma falha geral, porque não abortaram o projeto e voltaram ao carro antigo? “Poderíamos ter feito isto, estão todos guardados”, explica o belga. “Mas foi uma decisão política de não optar por este caminho.” Mas, considerando os resultados da Super-Aguri, não teria sido este o caminho mais óbvio de conseguir pelo menos resultados medianos? A resposta vem em forma de gesto que dá pra entender de forma que este tipo de lógica não faz parte da equação para a Honda. Para uma empresa que sempre usou a F1 como plataforma para a formação de engenheiros, não se aprende nada voltando atrás.

Honda Racing & Super Aguri

É verdade que a Honda freou o desenvolvimento do carro da Super-Aguri? Jacky responde com um sorriso meio torto: “Quem escreve este tipo de coisa não tem noção de como funciona a nossa equipe e como funciona a Honda em sua totalidade. Lá no departamento de desenvolvimento no Japão tem 800 engenheiros trabalhando no que cabe ao carro da Super-Aguri. Não tem nada a ver conosco. Se é que jamais houve um atraso, isto se deve ao fato que aquele departamento tem uma variedade de tarefas a resolver, não somente desenvolver o carro deles.”

A pergunta que não só o Rubinho faz: O próximo carro vai ser melhor. Jacky cai na gargalhada. “Bem, pior claramente é impossível.” Mas vai ser um carro completamente novo? Uma evolução do RA107 me parece impossível… “Não vou entrar muito no mérito, mas corrigindo o que estava essencialmente errado você já tem um carro muito bom como resultado.” E, com todo respeito, se o próximo for mais uma bomba? A Honda pode se retirar, como ameaçou o CEO durante este ano? “Não sei onde e como ele se manifestou, só sei que na Honda há uma filosofia muito ligada em automobi8lism, em competição de alto nível. Não nos vejo na mesma situação em 2008. E nem vejo a Honda sair da F1.”

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2 Gedanken zu “GP Brasil – O resumo (4ª parte)

  1. Umas observações rápidas, caro Mário.

    1) Então o Geoff Willis é o principal responsável pela derrocada da Honda neste ano, e ele foi mandado embora por causa disso?

    2) Ele terá a chance de rever estes conceitos na Red Bull? Ou ele vai frear o desenvolvimento dos carros da equipe que dá asas -visto no final do ano.

    3) Eu tenho a impressão que, o que há na Honda, é uma guerra velada entre a turma da ex-BAR e a turma da Honda. A turma do Fry, que não quer perder o comando, e a turma da Honda, que começa a tentar tomar conta da situação… Me parece que a indicação do Shuei Nakamoto (ex-projetista da HRC-MotoGP- e que não tinha experiência na F1) em posição de comando foi uma clara iniciativa com este contexto. Queria que vc me confirmasse isso, ou se eu tô viajando na maionese.

    Abraço!
    Kohara

  2. Kohara,
    ao meu ver é um pouco de tudo.

    1) Geoff Willis foi contratado para comandar a parte técnica. Algo que ele nunca fez antes e a sua falta de experiência e visão levou o agrupamento de engenheiros e recursos da Honda F1 para um caminho de limitações. Foi mandado embora porque ainda insistiu no caminho escolhido por ele.

    2) Na Red Bull quem comanda o departamento técnico é o Adrian Newey, o Geoff Willis cuida da parte de desenvolvimento. Ou seja, tiraram o peso das costas dele?

    3) O que há na Honda, é um organograma confuso. O Eeckelaert é diretor de engenharia, mas o Willem Toet, vice-diretor técnico, não está subordinado a ele. Quem manda em quem? Ninguém. Eis o problema de ambas a Honda e a Toyota: Estruturas cheias de empecilhos e bifurcações na ordem de comando. Isto simplesmente não funciona

    Abraço e boa semana a todos

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