GP Brasil – O resumo (3ª parte)

Jacky Eeckelaert, 2007 Uma das conversas animadíssimas que tive no paddock de Interlagos foi com o Jacky Eeckelaert, diretor de engenharia da Honda e velho rival da época da Formula Ford européia nos anos 80. E o que ele me contou não bate muito com a versão do Rubens Barrichello…


Lembram daquele post “Perguntas que ninguém quer fazer” que postei no dia 16 de outubro? Pois é, dizem que a „minha“ pergunta foi feita ao Rubinho, inclusive no programa Linha de Chegada. Não sei, por que não assisto. Mas pelo que me contaram, o Rubinho teria declarado que não marcou nenhum ponto, comparado com os seis pontos marcados pelo Button, porque o carro se desenvolveu para o final da temporada mais para o estilo do inglês. Hum, engoliram. E ninguém replicou…

A parte interressante sobre o que causou o desastre deste ano, como a situação poderia ter sido remediada, mas a solução foi descartada politicamente pela chefia da Honda e porque há muito otimismo para 2008, contarei tudo isto em um dos próximos posts. Por hoje quero aprofundar o assunto sobre os pilotos.

Jenson Button, Rubens Barrichello, 2007

Confrontei o Jacky com a versão do Rubinho e ele deu um sorrisinho. “Ele disse isto…?” O belga começa pelo início: “Não sei onde o Jenson ganhou fama de não saber acertar carro”, diz ele, “pois não procede.” Fato é que o RA107 deste ano tem um problema aerodinâmico embutido, que só deu pra maquiar, não houve jeito de consertar por meio de acerto e peças novas por ser uma falha na concepção em si. Outro fato é que o Rubinho começou a temporada melhor que o Button por conhecer o pneu utilizado pela Bridgestone este ano, uma construção de carcaça relativamente mole que corresponde à versão de 2003, desenvolvida conjuntamente com a Ferrari.

“Rubens é muito detalhista no acerto. O que é ótimo quando você tem recursos infinitos e um carro muito bom, que reage a cada mudança que você aplica. Tenho certeza que ele terá como extrair o máximo do RA108.” É esta parte a qual Rubinho se referia, quando disse que aprendeu muito na Ferrari. “Mas quando ele não acerta todos os parâmetros do carro do jeito que ele quer, o Rubens não consegue andar em um ritmo tão forte”. E Button? “Jenson, uma vez que entendeu trabalhar com estes pneus, se deu melhor sob estas condições de trabalho. Ele vai modificando o carro, até o ponto onde ele vê que não consegue aprimorar o que tem em mãos, e então vão ao ataque com o que tem.”

Rubens Barrichello, Jacky Eeckelaert, 2007

Mas na comparação entre os dois pilotos isto quer dizer o que? “Jenson tem a capacidade de aceitar que o carro não está perfeito e tocar forte mesmo assim. O Rubens precisa de um carro perfeito, senão não consegue tirar o máximo de si.” Na conversa surge um detalhe interessante que Achille Parilla, o italiano que foi o primeiro das grandes equipes européias de kart a dar uma chance ao Rubinho, seguindo a recomendação de Ayrton Senna. “Este rapaz cozia os meus motores porque freava e acelerava ao mesmo tempo.”

Pois é, pelo que surgiu na conversa, o Rubinho continua com esta dificuldade de não conseguir administrar a pressão de pedal de freio com o pé esquerdo e por isto insiste em frear com o pé direito. Em uma categoria de automobilismo, onde posições no grid se definem por milésimos de segundo, mover o pé de um pedal para o outro para acelerar/frear pode representar a diferença de se sobresair sobre o companheiro de equipe… ou ficar ouvindo perguntas incômodas…

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4 Gedanken zu “GP Brasil – O resumo (3ª parte)

  1. Achille Parilla tem relação com os mais do que famosos motores Parilla para kart?

    Bom, no kart acelerar e frear ao mesmo tempo é normal, não? Desde que você possa trocar de motor, se puder usar isso pra andar mais rápido…

    Muito bom os detalhes sobre o acerto de cada piloto!!!!!!!

  2. Esse mesmo, pelo menos era da família e o nome acabou na mão de terceiros. A equipe do Achille se chama Italsystem, coloquei o brasileiro André Nicastro lá em 1999 para competir o Europeu e o Mundial como semi-profissional, piloto de fábrica do fabricante de chassis Swiss Hutless.

    Infelizmente este não soube usar a chance, mas na ocasião da negociação de contrato surgiu este relato do Achille sobre o modo do Rubinho forçar o equipamento demais.

  3. Eu não sei se vc já notou Mario, mas quando o assunto é o Barrichello e o seu desempenho abaixo dos companheiros de equipe a retórica é a mesma: tem sempre o fator que beneficia o outro: a equipe, o carro, as circunstâncias…

    Engraçado é que ele nunca tem responsabilidade por nada, é complô, fatalidade, falta de sorte, tudo aquém a sua vontade, mas nunca ele e o seus shortcomings são sequer considerados. Mais engraçado ainda é que aonde quer que ele vá, o ambiente muda, mas a situação dele continua a mesma. Sempre. Será que ele ainda não viu qual é o denominador comum?

    O que é mais irritante é que a dona Globo sempre vende o Barrichello pelo que ele não é e nem nunca foi: o injustiçado e o preterido por todos. Se não por isso, ele seria „o“ campeão. Yeah, right. Aliás, é impressionante como a Globo adora ignorar o fato de que o Button é companheiro de equipe do Barrichello quando o inglês bate o brasileiro… jáo contrário é sempre sublinhado e louvado… simplesmente ridículo.

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