Stepneygate – A análise final (6ª parte)

Ron Dennis Ron Dennis não foi citado pelo conselho mundial de automobilismo da FIA no dia 13 de setembro como testemunha. Max Mosley fez questão que o mundo entendesse que ele seria ouvido como réu.

Ron Dennis consegue, cedo ou tarde, desagradar por modos que muitos consideram arrogantes. Mas, de fato, o CEO da McLaren International é simplesmente um homem com uma paixão tão grande para a perfeição, como o amor ao automobilismo, à competição e, é claro, derrotar a concorrência. Que os seus modos de abordar a conquista das suas metas, criaram muita inveja em volta ao longo dos anos.

Sou longe de ser o único que acredita que este processo todo não era uma busca à mais verdadeira verdade sobre o que aconteceu a partir do comportamento de Nigel Stepney e se houve algum tipo de comportamento anti-ético por parte da empresa McLaren International. Era, sim, uma ótima oportunidade de colocar animosidades pessoais em cima de um altar e celebrar o (possível) sacrifico de uma história de conquistas invejáveis. E com 1.300 empregos em jogo.

mosley-haug-dennis.jpg

A única coisa mais importante que ganhar o Mundial de F1 para Ron Dennis é ganhar de forma correta, convincente, derrotando os adversários pela competência da sua equipe. Descobrir que algo estava acontecendo que acabaria manchando esta imagem impecável que Ron Dennis criou em décadas de trabalho incansável e dedicado deve ter sido difícil de aceitar. O primeiro episódio obviamente era a descoberta de material de propriedade intelectual da Ferrari na casa de Mike Coughlan, seu desenhista-chefe.

Nigel Tozzi, o advogado da Ferrari, chegou a sugerir que informações abertas por Coughlan em um DVD por meio de um Notebook, que por sua parte tinha acesso à rede interna da McLaren, seria evidência suficiente que material da Ferrari estaria circulando dentro da empresa McLaren International. A resposta de Ron Dennis é coerente e valeria por qualquer dono de equipe no automobilismo, até em escala bem menor: “1.300 pessoas trabalham no nosso grupo. Como vocês querem que eu saiba de cada passo que cada um dos nossos funcionários faz?”

Tozzi argumentou que seria um Notebook pertencente à McLaren, Dennis acrescentou: “Que segue caminho dentro de um carro da McLaren, dirigido por um funcionário da McLaren rumo à residência dele.” Obviamente todos os funcionários em cargos importantes tem esta possibilidade de trabalhar de casa ou de qualquer canto do mundo com um Notebook ligado ao sistema de rede intranet da empresa. Mas se este funcionário abre algo particular com o mesmo Notebook, fica impossível estabelecer geograficamente onde isto aconteceu, sem que haja um controle exato onde esta pessoa se encontrava naquele momento.

Some nerve!

Se a organização interna da McLaren, que pode ser consideradas uma das mais detalhistas e regidas por regras corporativas mais rígidas da F1, não consegue impedir a ação de um funcionário inescrupuloso, o que faria o chefe de outra equipe qualquer? Ron Dennis tinha como saber, teria que saber que algo deste calibre estaria acontecendo em sua empresa? Eu digo: Só se ele fosse o diretor do “Big Brother McLaren”.

Isto vale também para os e-mails entre Coughlan e De la Rosa e do espanhol ao seu conterrâneo, Fernando Alonso. “Eu nem imaginava que os pilotos poderiam estar envolvidos nisto.” Houve então a situação domingo de manhã no Hungaroring, quando Ron Dennis soube de Alonso que existem e-mails comprometedores. “Já que se tratava de um assunto de engenharia, perguntei ao Martin (Whitmarsh) se ele acreditava que tenhamos ignorado algo que possa estar acontecendo nessa área.” Whitmarsh respondeu que conversaram detalhadamente como cada engenheiro, um por um. O Diretor geral da McLaren acreditava que seria uma ameaça infundada por parte de Alonso.

Mais uma vez a pergunta: Estaria Ron Dennis sendo negligente ao não ter conhecimento desta correspondência? Eu digo: Sem chance, afinal ele é o CEO de uma equipe de F1 com uma produção de superesportivos e uma série de departamentos técnicos. Ron Dennis não é o diretor da KGB, como teria sequer a chance de desconfiar que algo assim esteja acontecendo por trás das suas costas?

Fernando Alonso, Pedro de la Rosa, 2007

Depois do GP Alonso procurou Dennis e pediu desculpas por ter se descontrolado assim. “Ele se explicou, entendi que tinha sido uma reação impulsiva, ele estava irritado pela penalidade que recebeu pela FIA e, naquele momento, acreditava que aquilo tinha sido orquestrado pela McLaren.” Dennis então acreditou ter sido um desabafo, um exagero pro parte do seu piloto e confiou na informação do seu diretor geral que a investigação interna seria concludente que não havia nenhuma informação externa circulando por dentro da McLaren.

Hoje todos nós sabemos, e Ron obviamente também, que o sistema não é (ou não foi) infalível. E sou capaz de apostar que alguém como Dennis aproveitou o episódio para aperfeiçoar a segurança dentro da sua empresa. Algo que a Ferrari há anos deixa de fazer. Por isto que constantemente vazam informações dali para outras equipes, visto no exemplo Toyota alguns anos atrás.

Próxima semana a 7ª parte: Ferrari – onde estão os esqueletos?

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5 Gedanken zu “Stepneygate – A análise final (6ª parte)

  1. e como um chefe de mecanicos tem tanto acesso a ponto de copiar o carro inteiro da Ferrari ?

    tem certos detalhes nessa historia que não funcionam pra mim

    nunca ouviram falar de dominio / senha / usuarios e direitos de acesso ?

  2. Bem, para montar e desmontar um carro, os mecânicos precisam saber como fazô-lo, não é mesmo? Ainda mais o chefe dos mecânicos, pois justamente para isto servia o tal dossiê da F2007.

  3. concordo, mas uma coisa é o cara ter o desenho de como se monta a outra é ter o projeto como um todo

    e segundo a Ferrari alegou, com o dossiê a Mclaren conseguiria fazer um F2007, coisa que eu creio que não deva ser totalmente possivel so com manuais de montagem

  4. Mario, o titulo do post acho que esta errado…ele pula do 5 para o 7 e no final deste post acima esta escrito que o proximo e o 7.

    Abracos!!

  5. Bem observado, Walter.

    Lembra do post „Mea Culpa“? Pois é, tava esgotado, perdi a conta. Aí até o mais teutônico dos jornalistas especializados do Brasil acaba errando…

    Mas é bom saber que alguém está prestando atenção, a pane foi devidamente atendida. Grato pela dica.

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