Stepneygate – A análise final (4ª parte)

McLaren-Senior-Management  Um dos assuntos de tecnologia mais interessantes discutidos na reunião do conselho mundial de automobilismo no dia 13 de setembro foi a distribuição de freio da Ferrari e eventual influencia no sistema da McLaren.

4ª parte: A engenharia da McLaren – genial ou pirata

Patrick Lowe, apelidado Paddy e diretor técnico da McLaren, instruiu uma equipe de engenheiros de averiguar por meio de estudos de imagens de vídeo do GP da Austrália o que, na opinião deles, a Ferrari poderia estar usando em termos de freios na F2007. O advogado da Ferrari, Nigel Tozzi, chamou está averiguação de ato de espionagem! Aí que a coisa ameaçou tomar rumo ao patético. A verdade é esta, e não é de hoje: Observar na pista, estudar fotografias e imagens de vídeo, escutar as conversas do rádio das equipes, tudo isto é costumeiro na F1, todas as equipes o fazem. Se isto for considerado espionagem, então todas as equipes da F1 têm que ser condenadas.

Paddy Lowe

A reclamação da McLaren: A FIA tinha desde o inicio um convite aberto de visitar a fábrica, inspecionar os carros, verificar todos os dados, relatos e até arquivo de históricos. Mas a FIA sequer levou esta oferta em consideração
O fato que a McLaren também introduziu um sistema de freios com distribuição dinâmica não comprova espionagem. De fato o projeto provém de uma adaptação de um sistema que a McLaren já usou em 2001 e 2002, mas deixou de usar quando mudou para pneus Michelin. Agora a adaptação deste sistema para o MP4-22 de 2007 criou certa dor de cabeça por que nestes cinco anos o carro evoluiu a ponto de ser um carro bastante diferente para simplesmente acomodar um sistema de certa complexidade.

O sistema da McLaren foi testado nos dias 22 e 29 de março e estreou no GP da Espanha em 13 de maio. O sistema passou pela inspeção e foi aprovado por Charlie Whiting. Isto seguiu a observação da McLaren que a F2007 teria um sistema ajustável à mão. A McLaren apresentou na reunião uma carta assinada por todos os seus engenheiros presentes na véspera da reunião (são 140 no total!), confirmando que:

– não viram nenhuma informação técnica externa;

– nenhuma informação externa foi incluída em seus trabalhos;

– que o carro construído este ano e o que está sendo construído para 2008 são inteiramente frutos de trabalho efetuado pela própria divisão.

Paddy Lowe é o responsável pela engenheira na sua totalidade, é, portanto um profundo conhecedor em detalhe de cada peça do MP4-22. Ele mantém inclusive, que Coughlan não tinha como aplicar nada do que tomou conhecimento por não ter esta liberdade. Quem desenvolve o carro em sua concepção é o chefe de engenharia, o próprio Lowe, e seus engenheiros adjuntos que criam um programa de desenvolvimento. Os parâmetros do projeto então são divulgados ao desenhista que converte a concepção em um desenho funcional e pronto para produção.

Mike Coughlan

Foi justamente esta limitação que deixou Coughlan frustrado, mas salvou a McLaren de um verdadeiro escândalo de transferência de tecnologia. Lowe explicou ainda que nenhuma informação de outra equipe ajudasse a melhorar o MP4-22, pois é um projeto que evoluiu durante anos e tem o seu próprio DNA. Simplesmente parafusar uma peça de um concorrente neste carro destruiria a performance do conjunto da obra. É o que define uma equipe de ponta na F1, não produzir Xérox do que os outros inventaram.

Conhecimento ou não do dossiê de construção e montagem da Ferrari F2007, parece óbvio que a McLaren MP4-22, uma evolução de vários anos a partir das idéias de Adrian Newey, dificilmente seria compatível com fragmentos de outro carro. Isto vale ainda mais para a F2007, por sua parte uma evolução em sua base de um projeto de Rory Byrne e que nesta temporada chegou a uma versão com entre-eixos estendido. Mesmo se os 140 engenheiros da McLaren tivessem e oportunidade de estudar o tal dossiê, o que não chegou a ser provado de forma alguma, parece pouco provável que algo do conteúdo poderia ser aproveitado.

Na 3ª-feira a 5ª parte: O jogo de Coughlan

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2 Gedanken zu “Stepneygate – A análise final (4ª parte)

  1. Realmente o campeonato desse ano já era. Vide que desde SPA ninguém comenta mais o que ocorre dentro da pista, como reclamou o Alonso em Fuji. Prova de que o Mundial desse ano está maculado totalmente. Nem me interessa quem vai ser o suposto campeão, já que não vai valer de muita coisa mesmo.

  2. Concordo totalmente com você Bauer, isso só demonstra, para mim, que a McLaren não usou o dossiê e que embora ela devesse ser punida pela posse dos documentos a punição foi suficiente e justa.

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