Stepneygate – A análise final (3ª parte)

Alonso, Hamilton, de la Rosa Fernando Alonso não foi citado para depor e não seguiu convite da equipe de comparecer à reunião do conselho mundial de automobilismo da FIA no dia 13 de setembro, deixando na mão de Lewis Hamilton e do amigo Pedro de la Rosa de explicar a posição dos pilotos nesta novela.

3ª parte: Alonso/De la Rosa – empenho ou trapaça?

O depoimento de Lewis Hamilton foi curto e simples, já que ele não tinha envolvimento e aparentava não ter conhecimentos de circulação de informações privilegiadas. Mas Pedro de la Rosa, apesar de aberto e sem contradições, deixou bastante espaço para interpretações e é o depoimento do piloto de testes da equipe que complicou a história para o lado da McLaren. Sem propósito para tal.

Não há como negar que o desenhista Mike Coughlan não somente tem certo grau de amizade com de la Rosa, como também houve conversa sobre as informações obtidas e de onde elas provêm. Em e-mail de 21 de março o espanhol pergunta: ‘Você conhece a distribuição de peso do carro vermelho? (Evidentemente trata-se da Ferrari) Seria importante para que possamos testar isto no simulador.” Coughlan retorna certo valor e segue revelando um detalhe do sistema de freio da Ferrari: “eles tem um sistema que inicialmente retarda a frenagem no eixo traseiro e a aumenta gradualmente.”

Em e-mail ao compatriota Alonso, de la Rosa menciona a origem das informações ao compatriota: “Todas estas informações da Ferrari são bem confiáveis. Elas vêm do Nigel Stepney, o ex-chefe dos mecânicos deles. Não sei a posição dele lá agora. Ele é a pessoa que nos disse na Austrália que o Kimi iria parar na 18ª volta. Ele tem amizade com o Mike Coughlan, nosso desenhista-chefe, e contou pra ele.“

A pergunta que surge é algo que não me pareceu convincente e que deve ter ajudado a complicar a situação da McLaren. As informações que De la Rosa obteve de Coughlan, o espanhol teria que compartilhar com os engenheiros de alguma forma, até mesmo com os três técnicos, ou mais, que gerenciam o simulador. Já que dá pra mudar parâmetros como distribuição de peso ou arrasto aerodinâmico. Quem programa isto no soft tem que obviamente receber a informação.

Fernando Alonso, Pedro de la Rosa, 2007

De La Rosa manteve que acabou não usando as informações no simulador, por não pareciam reais, estavam muito longe dos parâmetros usados no MP4-22, portanto não iria ajudar a testar esta opção. Sinceramente: Não engoli essa. Claro que ele estava ansioso para ver como um carro se comportaria com uma distribuição de peso tão diferente. Creio que não há como negar que os e-mails entre os dois espanhóis são provas fortes que dentro da McLaren havia mais pessoas com acesso a estas informações provindas de Stepney.

Vou aprofundar a questão se a “contaminação”, como o Ron Dennis ama chamar o ocorrido, com informações privilegiadas vindo da Ferrari, realmente deu alguma vantagem à McLaren em uma das próximas partes. Resumindo aqui o envolvimento dos pilotos, é fácil condená-los. Foi moralmente errado trabalhar com informações dos adversários? Uma coisa é bem clara no automobilismo: Se trabalha em equipe para conquistar vitórias e quem trai o próprio grupo, neste esporte este é o mal-feitor.

Piloto algum vai tapar os ouvidos se alguém lhe oferecer informação sobre o que os adversários estão fazendo. Piloto é um tipo de gente altamente egoísta. E eles têm que ser assim, a vontade de vencer tem que falar mais alto do qualquer outra coisa na vida deles. A determinação tem que ser acima do cidadão normal. Bem acima. Neste esporte você vira figurante sem esta atitude de predador.

Alonso e de la Rosa agiram errado? Para qualquer ramo da vida alheia: Sim! Para o automobilismo como ele é (e sempre foi) e a F1 especificamente? Com certeza fizeram o que qualquer um (inclusive aqueles que agora lamentam a não-exclusão dos pilotos do Mundial) faria na mesma posição.

Amanhã 4ª parte: A engenharia da McLaren – genial ou pirata

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7 Gedanken zu “Stepneygate – A análise final (3ª parte)

  1. Mário,

    Como vc vê a história, que está lá, nos altos da FIA, de que Alonso usou essa informação para ameaçar Ron Dennis e conseguir “igualdade” de tratamento dentro da Mclaren?

    Dentro dessa mesma perspectiva, a de que certos princípios morais dos pilotos podem ser um tanto quanto elásticos na medida em que esses mesmos princípios se chocam com a determinação em vencer, como vc vê essa chantagem do Alonso (se podemos caracterizar assim!)? E como vc acha que o paddock absorveu ou absorverá tudo isso?

    Outra pergunta. A Formula 1 é esse cruzamento de negócios, esporte, alta tecnologia, ciência etc. Dentro dessa perspectiva, que impacto vc acha que há na visão que os patrocinadores terão da Formula 1 diante de atitudes pseudo imorais de alguns de seus principais personagens como vimos esse ano?

    Li as transcrições do julgamento, e me chamou bastante a atenção a defesa do advogado de Hamilton. Achei-a determinante para a absolvição de Hamilton, e como conseqüência, ironia das ironias, de Alonso também, no imbróglio todo.

    Abração!

  2. Mario eu concordo plenamente que qualque piloto que tivesse uma informação privilegiada iria usa-la…. mas acho também que quem é pego „com a boca na botija“ deve ser punido…. De La Rosa e Alonso não só sabiam das conversas, eles pediram informações ao Mike Coughlan que repassou estes pedidos ao Nigel Stepney…

  3. Ninguem fala da versão no Stepney, ninguem fala das irregularidades da Ferrari e já tem alguns „surpresos“ com a permanencia do Alonso na Mclaren

    Ô „imprensa“

    Parabens pelas reportagens e pelo blog (mais uma vez)

  4. Mas que podiam ter dado uma corrida de gancho para cada piloto podiam né, para embolar tudo….Não que eu seja Massa, podia ser campeão qq um dos 4, estou neutro na torcida, mas ficaria mais emocionante…
    Legal teu blog….o que acha de trocarmos referencia? Você coloca o meu aí do lado e eu coloco o seu lá no meu?
    Se quiser dar uma olhadinha, vai aí o link: http://cafecomf1.blig.com.br
    Abraços!

  5. SO UMA PERGUNTA MARIO. QUANDO VC ERA PILOTO VOCÊ TINHA ESSE MESMO PENSAMENTO OU SEJA AGIA COM ESSA CONDUTA QUE VOCÊ MESMO CITA EM SEU TEXTO? „Piloto é um tipo de gente altamente egoísta. E eles têm que ser assim, a vontade de vencer tem que falar mais alto do qualquer outra coisa na vida deles. A determinação tem que ser acima do cidadão normal. Bem acima. Neste esporte você vira figurante sem esta atitude de predador“.

  6. Vou começar respondendo o ultimo comentário:
    Sempre fiz questão que a minha equipe e meu preparador mantivessem as coisas dentro das regras. Guardar informações dos outros era o normal e testar o que se escutava de boatos, que os outros estariam fazendo em termos de pressão de pneus, um comando meio mal definido no regulamento e este tipo de coisa também fazia. E se era pra mostrar na pista quem pé o dono da casa, não precisava convidar. Normal.

    Leia este post pra ter uma idéia: https://gpinsider.wordpress.com/2007/08/14/retrospectiva-%e2%80%93-batendo-rodas-com-ayrton/

    Mas o que muita gente não vê o como a F1 é extrema. Em tudo. Inclusive na parte politica, na sacanagem e, infelizmente, na malandragem. Talvez não passei da F3 por não ser egoista o suficiente…

    Becken, tenho certeza que o episódio não ajudou a F1 em nada. Foi mais uma demonstração de poderes, uma medição de forças de uma meia dúzia de egocêntricos. Mas como ainda veremos ao decorrer das partes a seguir desta análise, teve gente que lucrou bonito com esta história. E ja sabemos faz um tempinho que é este o próposito principal desta categoria. Se nós gostamos destas artimanhas ou não, quem se interessa pela nossa opinião…?

    E enquanto ao Café com F1, já tinha ouvido falar, agora que tenho o link vou incluir no blogroll, OK?

    Abs a todos, bom findi e boa corrida!

    Mario

  7. AGORA ENTENDI MARIO…MESMO ASSIM MUITO OBRIGADO PELA SUA RESPOSTA E CONTINUE COM ESSAS MATERIAS INFORMATIVAS, MUITO RICAS POR SINAL PARABENS DE VERDADE

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