Stepneygate – A análise final (1ª parte)

Nigel Stepney  Com a McLaren desistindo do direito de recurso contra a decisão do conselho mundial de automobilismo da FIA do dia 13 de setembro, tenho condições reais de finalmente analisar este episódio mais detalhadamente.

Ao longo das duas reuniões, a primeira no dia 26 de julho, uma série de revelações interessantes foram feitas que gostaria de comentar em seguida. Ainda mais que sucessivamente outros detalhes surgem enquanto os processos cíveis na Itália e na Inglaterra continuam. De qualquer forma, sendo o texto da transcrição muito extenso, vou dividir em várias partes. Vamos começar pelo personagem que deu nome ao “Stepneygate”.

(1ª parte) O papel de Nigel Stepney

Sempre defendi que Nigel Stepney não pode ser chamado de espião, muito menos seria o tal de “Stepneygate” um caso de espionagem. Porque, pelo que sabemos até agora, Stepney não foi contratado pela McLaren para espionar dentro da Ferrari. Isto sim significaria algo de tão grave como estão desenhando o cenário atual.

Nigel Stepney, Ross Brawn 2006

De fato Stepney é um empregado insatisfeito, que teve o seu sonho de sucessor natural de Ross Brawn destruído devido à tendência dentro da Ferrari de recolocar italianos nos lugares dos até então dominantes estrangeiros. Se sentindo injustiçado então resolveu se vingar dos patrões expondo uma tentativa da Ferrari de burlar o regulamento enquanto a uma interpretação do parágrafo 3.15. Abordarei este assunto em detalhe na 2ª parte.

E depois, provavelmente imaginando poder dar um passo de carreira marcante, se dispus a passar detalhes técnicos e de estratégia adiante. A policia averiguou os contatos por telefone (ligações e SMS) entre Stepney e o desenhista Mike Coughlan da McLaren entre 23 de março e 3 de julho. Mas pelo que consta não se sabe o conteúdo dos SMS. Então não há caso! Porém, descobre se que houve quatro conversas sobre os detalhes da distribuição de freio progressiva da Ferrari com Coughlan, com desenhos feitos por Stepney, que segundo Coughlan continham vários erros.

Stepney aparentemente fez uma tentativa de sensibilizar a FIA de assoalho movediço, mas Charlie Whiting não deu importância ao assunto. Stepney então imaginou que a McLaren daria um fim nisto denunciando a concorrente. O que acabou acontecendo. Moralmente errado, já que continuava empregado e recebendo salário da Ferrari. Se o inglês tivesse pedido demissão e levado alguns segredinhos juntos, seria difícil julgá-lo. Ainda porque é a coisa mais comum no paddock.

Nigel Stepney

Segundo Stepney o verdadeiro espião ainda trabalha na Ferrari até hoje. Se for o caso, quem é e a função de Stepney seria meramente de um mensageiro? E Stepney não desiste de falar em podres dos últimos da Ferrari dos últimos anos. Sempre disse que gostaria de ouvir a versão dele. Agora parece que ele achou uma editora para publicar um livro. Algo me diz que vão pagar pra que o livro não seja jamais publicado. Quem vai pagar. Quem tiver o rabo mais preso nesta história.

Há obviamente a possibilidade que não há nada de espetacular a denunciar e que Stepney, aparentemente encurralado, comece um tiroteio de injurias por aí. A verdade é que até agora não se conhece a versão dele na integra. Pelo que me consta ainda não foi ouvido pela FIA e ainda não fez a uma declaração detalhada às autoridades italianas. Acabou então a novela do Stepneygate, agora que a McLaren aceitou o veredicto e não recorrer à corte de apelação? Mais uma vez digo: Tenho a sensação que nem bem começou ainda.

Amanhã segue a 2ª parte: Ferrari F2007 – as revelações

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8 Gedanken zu “Stepneygate – A análise final (1ª parte)

  1. Sorry, venho notando uma certa instabilidade no WordPress. Domingo a matéria não saiu, só no próximo dia, e essa saiu em dobro… Vá entender.

  2. só uma duvida

    Como você sabe que Stepney levou o assunto ao Whiting e ele não deu bola???

    Não vi isso nas poucas partes das transcrições.

    E o teatro em paris senti muita falta dos dois principais personagens , Stepney e Coughlan.

    É como se julgassem os supostos cumplices sem a presença do principais autores do delito.

    Essa FIA é uma piada

  3. Mário, magnífico texto.

    Pelo teu conhecimento e experiência no Paddock, esses boatos da Ferrari contratar o Alonso, tem fundamento?
    Abraços

  4. Stepney diz que o espião está na Ferrari até hoje. Quem seria ele? Parece até filme de ficção…

    Esse livro vai trazer algumas revelações bem interessantes…

    Grande abraço!

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