Esses alemães (2º episódio) – Os juniores da BMW

Peter Hennige, Schnitzer-BMW 2002 Turbo, Norisring 1977  Algumas semanas atrás coloquei uma matéria relembrando a Deutsche Rennsport Meisterschaft (ou DRM) de trinta anos atrás e já anunciando uma retrospectiva da temporada de 1977. Após algumas semanas de correria, eis então o relato começando pela BMW, sua participação na „Division 2“ com os novos 320i na versão grupo 5, um preparador que abriu o caminho para um motor de F1 e o projeto com um trio de novatos virando pilotos de fábrica.

A BMW estava de cara nova em 1977, sob a égide de novo diretor de competições Jochen Neerpasch, que tinha ocupado o mesmo cargo com sucesso na Ford, foi criada a BMW Motorsport GmbH, empresa com participação 100% da BMW AG, mas com a agilidade administrativa de uma empresa de pequeno à médio porte. E os resultados desta criação de um departamento de competições praticamente independente, embora trabalhando com recursos 100% da matriz, ficariam evidentes naquela temporada.

Para 1977 Neerpasch incentivou a criação de um verdadeiro carro de corrida na base do anexo J do regulamento da FIA. Até então a BMW tinha tentado acompanhar as Porsches com os BMW 3.5 CSL grupo 2 adaptados ao regulamento do grupo 5. Mas com um excelente motor de Formula 2 à disposição, um novo carro moderno, o modelo E21 da série 3, com dimensões e uma carroceria aerodinamicamente vantajosa, logo a aposta foi feita para enfrentar a Ford, que até então  dominava com Ford Escort na especificação grupo 2 da Zakspeed na divisão até 2000cc de cilindrada.

Manfred Winkelhock, BMW 320i Gr5, Nürburgring 1977

Visto que a BMW tinha feito grandes progressos com seus motores de cabeçotes de alumínio e de 16 válvulas já superando os temidos motores DBA da concorrente Ford, mais o novo Escort era maior e mais quadrado que as versões anteriores, a expectativa de Neerpasch era grande. A Motorsport GmbH ainda resolveu, além de fornecer o 320i Gr. 5 para quem quisesse, alinhou três carros no grid com uma jogada de marketing genial: o BMW Junior Team.

O ítalo-americano Eddie Cheever, o suíço Marc Surer e o alemão Manfred Winkelhock, foram contratados como pilotos de fábrica, os três juniores. E de quebra a Motorsport GmbH comparecia em eventos maiores com o Gentlemen-Team, colocando asses da F1 como Ronnie Peterson e Hans Stuck no volante de carros de clientes como HAT e Faltz, outros 320i foram comprados por Heidegger e GS Tuning e alugados a pilotos nacionais.

BMW Junior Team 1977 - Manfred Winkelhock, Marc Surer, Eddie Cheever

A maior concorrência dos 320i da Motorsport GmbH foram, além dos carros vendidos à clientes, os antigos BMW 2002 1.4 Turbo do preparador Schnitzer. Com 380 HP o motor reduzido em cilindrada, praticamente um antecessor do motor que o Paul Rosche da própria montadora iria construir para a Formula 1 levando Nelson Piquet ao título em 1983. O 2002 da Schnitzer era ótimo onde existiam longas retas e curvas de alta, embora um pouco mais alto e com uma aerodinâmica menos eficaz que a dos 320i.

O motor de quatro cilindros superalimentado tinha cerca de 30% a 40% potência a mais que os aspirados de fábrica, dependendo da pressão aplicada ente 2.5 e 2.8 kg, mas sem eletrônica sofisticada para regular injeção e ignição, era uma tarefa e tanto colocar toda essa potência no asfalto sem acabar com os pneus. E de corridas na chuva nem, se fala. Mas Schnitzer provou que o motor superalimentado é o futuro na categoria.

Schnitzer BMW 2002 Turbo, BMW 320i, Zakspeed Ford Escort BDA, Norisring 1977

Surer abriu a temporada com vitória em Zolder, Stuck vence as próximas duas provas no Nürburgring e depois outra em Diepholz. No Norisring os três Juniores dão uma demonstração de agressividade muito comentada e Cheever vence. As 2002 turbinadas, nas mãos de asses como Harald Ertl, que durante a temporada trocaria para divisão 1, Peter Hennige (vence em Kassel-Calden) e Klaus Ludwig (vence no Nürburgring) completaram a festa da marca da Bavaria. Só em duas etapas da divisão 2 o piloto vitorioso não dirigia uma BMW.

No campeonato é Manfred Winkelhock, o menos experiente dos três Juniores e que venceu a penúltima etapa do ano em Zolder, que obteve a melhor colocação no campeonato em terceiro na geral. A competitividade na „Division 2“ rendeu o campeonato ao Rolf Stommelen, na „Division 1“ praticamente imbatível com a sua Porsche 935 e, além disto, era o queridinho do dono da equipe de três carros de Georg Loos. Mas já havia gente sonhando com um 320i 1.4 Turbo para fazer uma limpa na temporada de ’78.

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2 Gedanken zu “Esses alemães (2º episódio) – Os juniores da BMW

  1. Bela história… aliás, conhecia um pouco, quando tive a fazer a biografia do Manfred Winkelhock.

    Ó Mario… dava jeito saber o teu mail porque precisava de uma ajuda tua. Tou a fazer um trabalho sobre o Jochen Rindt para publicar quando for a altura (dias 4 e 5), e dava jeito ter umas fotos e histórias que tu conheças, nomeadamente a relação com o Colin Chapman e se é verdade que ele iria retirar-se no final daquela época.

    Eis o meu mail de contacto: p.alex.teixeira@gmail.com

    Um abraço.

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