General Motors e o flerte com a F1

Vai pintar Chevrolet na F1?  Está nas bancas na Alemanha e países vizinhos a nova edição da revista semanal Motorsport Aktuell e vem publicada matéria que pesquisei após a notícia (inclusive divulgada aqui no blog) de que a GM vai deixar de patrocinar a equipe de atletas norte-americanos após os jogos olímpicos de Beijing. E que esta verba pode estar sendo reservada para a Fórmula 1.

 

A diretoria da GM tinha declarado que o patrocínio de um bilhão de dólares americanos, até então destinado para os atletas dos EUA, não pode mais ser justificado perante opções de marketing mais interessantes e com um retorno maior. Os comandantes da maior montadora automobilística do mundo querem mais eficiência e um máximo de retorno para cada dólar gasto. E apostando que eles podem estar levando a F1 em consideração, acabei descobrindo indícios muito fortes de que realmente a GM está flertando com esta opção.

 

Na verdade isto não deveria ser um surpresa. Afinal a Fórmula 1 reúne uma audiência global de 19 bilhões de consumidores em mercados todos fornecidos pela GM. Dividindo este bilhão futuramente à disposição em quatro anos, é o ciclo de aproveitação de cada olimpíada, seria um orçamento de 250 milhões de dólares anuais. Bem a altura das equipes de ponta na F1. Mas em contra partida há o ganho de desenvolvimento tecnológico, renda por meio de patrocínios, que podem chegar até 150 milhões anuais, e, a partir de 2009, uma renda considerável oriunda das participações de direitos de transmissão de TV.

Robert ‘Bob’ Lutz, CEO GM North America

Mas de onde surgiu este repentino interessa pela F1 que nunca interessou a GM, pela F1 pelo mero fato do público norte-americano desconhecer a categoria? Primeiramente este quadro mudou após sete GPs em Indianápolis. E o mercado interno não perdeu a prioridade, mas após a compra da Daewoo e estabelecendo a marca Buick na China exige uma divulgação mais ampla, a nível global. Conseqüência do estilo inovador do CEO da GM norte-americana e Vice-presidente de desenvolvimento de produtos Robert Lutz que está modernizando a imagem da GM com sucesso desde que chegou em 2001.

 

Bob, como o dinâmico dirigente é apelidado, é um cara dinâmico, além de comparecer a eventos da GM em seu caça Alphajet alemão (!) é fã de automobilismo e tem um Shelby Cobra com motor de 600 HP na garagem. Mas apesar da paixão pelo automobilismo e pela criação de automóveis chamativos, é também um mestre de eficiência. E como tal tem muita admiração pelo Carlos Ghosn e a maneira como o brasileiro recuperou a Nissan. Um ano atrás, quando a GM negociava um take-over com a Renault, Lutz se interessou mais detalhadamente o porquê Ghosn, frio e calculador, não cortou a F1 quando assumiu a Renault. A surpresa do americano, nascido em Zurique: Em 2004, somente o terceiro ano de atuação da equipe, a Renault F1 teve, além da exposição, um lucro de 4.7 milhões de dólares.

Bob Lutz sempre favoreceu o automobilismo na GM

Após esta revelação Bob Lutz teve uma conversa em particular com Louis Schweitzer, que além de ex-CEO da Renault é primo de terceiro grau dele. Em seguida ele discutiu o assunto com o seu chefe Rick Wagoner e encomendou um estudo secreto, do qual nem o diretor da GM Racing, Mark Kent tem conhecimento. Neste relato devem se apresentar as diversas opções de como a multinacional possa ingressar o mundo dos Grand Prix com sucesso. Eu pessoalmente creio que a GM irá imitar o procedimento adotado com sucesso pela Renault: comprar uma equipe bem equipada (Williams? Honda? Red Bull?) e produzir motores em uma sucursal comprando a Cosworth de Kevin Kalkhoven, que está quase ociosa. Além de um projeto de um V8 potente pronto para a F1 a Cosworth poderia retomar o projeto do motor de IRL que a GM abandonou alguns atrás.

 

Com um orçamento de um bilhão de dólares a partir de 2009 até 2012 e um valor idêntico que muito provavelmente será desviado da mesma forma para a F1 do time norte-americano após as Olimpíadas de inverno de 2010, estaria liberado mais um bilhão adicional a partir de 2011, assim financiando um projeto de oito anos de duração na totalidade com dois bilhões de dólares. E com probabilidade de ainda gerar um possível lucro, fora do prestígio um título mundial a ser conquistado nesta projeção. O lado bom para a diretoria: Se a operação falhar, o culpado será (para os acionistas cobrarem a cabeça) o próprio Bob Lutz, que agora tem 75 anos e não tem muito a perder…

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10 Gedanken zu “General Motors e o flerte com a F1

  1. Olá Mário,

    li a matéria no MotorSport Aktuell, ficou realmente muito boa. Parabéns pelo furo e também pelo blog, já virou referência.

    Abs,
    Ico

  2. Velho tu é muito foda..
    Finalmente alguem que fala coisas dos bastidores com algum sentido. Não como uns e outros que dizem que Nelsinho Piquet correrá de Renault, Williams, biga romana, sem nenhuma base.
    Acesso seu blog todo dia, tá de parabens de novo.

    Aliás, tenho algumas duvidas sobre os bastidores da F1.
    1- Nigel Stepney nao era o engenheiro de corridas ou alguma coisa assim do Rubens Barrichello enquanto ele esteve na Ferrari? Se sim, então ele deve saber sobre todas as sacanagens que a Ferrari aprontou entre 2000-2005. Como, por exemplo, a estranhíssima pane seca em Interlagos 2003. Será que a Ferrari nao armou o ’stepneygate‘ pra cima dele pra desacreditá-lo por ele saber demais?

    2- Como que Ron Dennis convenceu Fernando Alonso a sair de uma equipe onde ele era a prioridade total pra ir pra McLaren?

    Abraço

  3. Ico e Lucas, obrigado pelos elogios, realmente estou curtindo esta nova fase de blogueiro.

    Respondendo ao Lucas:

    1) É o que penso e já manifestei o meu ponto de vista no tópico „Não seria um Almondogate?“ algumas semanas atrás. Acho que o que o Stepney sabe vai além das „coisinhas“ praticamente evidentes que aconteram com o Rubinho. Não vejo a hora dele abrir a boca ou escrever um livro. Os bastidores são sempre mais interessantes do que acontece nas pistas. Pelo menos nos ultimos anos.

    2) Quer dizer além dos 15 milhões de motivos anuais…? =D
    Bem, o Alonso já estava p… da vida com o Briatore, a McLaren tem recursos como a Renault e a Honda JUNTOS e quando assinou o contrato, não se esqueçam disto, o Schumacher ainda estava firme e forte na Ferrari. Na verdade era a única opção interessante na época.

  4. 1- Eu li o teu post. Mas no post parece mais que tão sacaneando ele por uma disputa de cargos. Eu não sei porque tão sacaneando ele. Mas tenho a impressão que é por ele saber demais. Se fosse filme, ja tinham dado um sumiço nele, tipo sapatos de cimento. E quanto ao livro pena que muita gente promete (Piquet, por exemplo, prometeu um de deixar os cabelos em pé), mas só lança quem vai falar o mamão-com-açúcar. Duvido que Nigel lance um contando as sujeiras da Ferrari. Mas que seria divertido, ah seria.

    2- 15 milhoes por um piloto como ele é baratíssimo. Ralf ganha mais ou menos isso. O Kimi ganha 30. Além do mais, ele foi muito burro. Na época que ele assinou com a McLaren, ele era recém campeão mundial acabando um reinado de Schumacher. Tinha moral de assinar um puta dum contrato onde ele seria o primeiro piloto em tudo. Mas, como podemos ver, ele nao fez isso. E agora tá aí, vivendo às turras com Hamilton. Só espero que esse estágio na McLaren nao afete sua competitividade como aconteceu com Montoya.

  5. Oi, Mário. Tudo bem?

    Interessante o seu ponto de vista. Parabéns pelo texto. ;O) Ótimo, como sempre.

    Olha. Não quero ser o chato que discorda de tudo. Mas tenho reservas a esta idéia F1centrista que a mídia tem tomado. Claro que a F1 é uma categoria global, é o mais bem divulgado de todas as categorias. Mas, como já disse o Ghosn (quando ele botava em dúvidas a presença da Renault na F1), a Fórmula 1 é muito cara, e não dá pra entrar de cabeça investindo os tubos. Ainda mais num momento em que o Max resolve mudar as regras do jogo como se muda de camiseta.

    A GM já tem alguns investimentos no mundo do automobilismo mundial. Tem investido uma grana na WTCC, com a Chevrolet, que é a nova „marca mundial“ deles. Quem garante que eles não poderiam simplesmente direcionar a grana para o WTCC (como a Ford fez, de forma certa ou errada, para o WRC), gastando muito menos?

    Claro que, com um bilhão de doletas, dá pra entrar em todos os campeonatos mundiais existentes. Até de cuspe a distância. Mas, se a idéia da GM é simplesmente maximizar os investimentos, não seria interessante ela focar no WTCC, pelo menos a princípio? Ainda mais num momento em que a Fórmula 1 acha que não é interessante apostar no mercado norte-americano (saindo de Indianápolis)?

    Valeu, e, novamente, parabéns pelo texto.
    Abraço!

  6. Quem não gosta de elogios ? =D
    E não considero chato quando há questionamentos, os quais muitas vezes são bem interessantes.

    Em primeiro lugar a GM ainda está longe de tomar uma decisão, há meses de avaliação pela frente ainda. E a resposta na reunião da diretoria pode ser: Não, não vamos fazer isto. Por enquanto é uma estratégia sendo considerada.

    Tenho um contato com a GM Europe e sei que estão participando da WTCC com uma verba que não chega sequer a um 1% do orçamento de uma temporada de F1. Infelizmente o retorno também é nesta altura. O Ibope da WTCC não está lá essas coisas, estamos falando de uma dúzia de milhões telespectadores e a imprensa também não cede muito espaço. Então o retorno não é comparável com os níveis da F1, que só tem as Olimpíadas e a Copa do Mundo como competição direta em termos de retorno de media. Fora do fato que é um sufoco achar aptrocinadores e praticamente impossível conmseguir lucrar nessa categoria.

    E a grande diferença é que a GM investiu pesado para conquistar o mercado chinês. Vitórias na NASCAR, NHRA ou IRL não representa nada por lá. Mas a F1 até os chineses e a mídia por lá abraçaram com vontade. E não se esqueça que tem muita gente dentro da F1 querendo que a GM finalmente desista de esnobar o esporte. Se você tivesse visto o número de jornalistas que atenderam o lançamento oficial da equipe da Toyota na época, imagina a maior montadora do mundo entrar no circo. Vai dar capa até no Financial Times…

  7. Oi, Bauer.

    Obrigado pela resposta. Bacana. Obviamente estou sendo o advogado do diabo, aqui… Não tenho informação de nada além daquilo que vejo por aí. =O)

    Só me tira uma dúvida que me ocorreu agora… Considerando que, pelo que você me diz, a China é o grande alvo da GM…

    Você acha plausível a idéia da GM ter apostado no WTCC basicamente porque surgiu a história da montadora chinesa Brilliance também investir na categoria? Assim, o WTCC teria uma grande visibilidade dentro da China, e a GM já estaria lá dentro -pegando carona na festinha da montadora chinesa…

    Ou as estratégias de um conglomerado gigante como é a GM não seriam compatíveis com este tipo de marketing de guerrilha digno de Pânico na TV?

    Abraço!

  8. Agora a GM parece que está usando a cabeça…

    Uma pergunta… oq que os atletas patrocinados atualmente pela GM tem para mostrar a marca GM??? Camisas, bonés???

    Na f-1, é pelo menos 17 vezes ao ano, (uma olimpiada dura mais ou menos isso, só que de 4 em 4 anos) e tem o tempo médio de 2hs por corrida na TV, fora os treinos.

    Acho que esse não é um dinheiro jogado fora, sem falar nos avanços tecnológicos que podem desenvolver, testar e aplicar na prática. uma boa compra para a GM seria a Toro Rosso.

    Qto ao WTCC, assisti a alguns Vt’s de corridas, e são corridas boas, mas infelizmente para nós brasileiros, é complicado assistir a essas corridas, pq ninguém transmite por aqui (e olha que temos uma etapa no campeonato, em Curitiba).

    Mario, parabéns pelo blog, está de um nível muito bom, e com textos de ótima qualidade.

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