Saudades do amigo Creighton Brown

Creighton Brown 2005  Figura querida e amável, sempre gentil e mostrando um sorriso simpático, Creighton Brown era um verdadeiro gentleman. Hoje, no primeiro aniversário da sua morte, quero aproveitar para lembrar esta pessoa magnífica que deixou muita saudade.


Creighton começou no automobilismo como piloto na Inglaterra, mas logo entendeu que sua verdadeira habilidade é a de empreendedor, era um verdadeiro imã de patrocinadores e logo fundou a Ardmore Racing, equipe que disputou o campeonato europeu de Fórmula 2 e se tornou uma das mais bem sucedidas da categoria com sete campeonatos e mais de 100 vitórias.

 Com Ayrton Senna em 1992Com o govenador Esperidão Amin, 2000

No fim de 1978, no auge da Ardmore, Brown juntou-se a Ron Dennis e dois anos depois fundaram a Project 4 Racing que iniciou um joint-venture com a McLaren para depois, com a fundação da McLaren International da qual Brown e Dennis eram acionistas, assumir o controle da equipe de Fórmula 1.

Uma de suas maiores amizades na F-1 foi com Ayrton Senna, com quem trabalhou junto entre 1988 e 1990. O brasileiro era, inclusive, padrinho de Allie, filha de Brown. No ano do bicampeonato de Senna, Creighton deixou a diretoria da McLaren International para fundar a McLaren Cars Ltd para a qual Gordon Murray projetou a McLaren F1, o superesportivo que em sua versão de corrida venceu as 24 Horas de Le Mans em 1995 e dominou a categoria GT nos anos seguintes.

McLaren F1

Eu o conheci em 2000, quando era redator-chefe da Formula1.com, o site oficial da F1 no qual Creighton tinha participação antes de ser vendida para a Formula One Management de Bernie Ecclestone no ano seguinte. Ele era casado com uma catarinense, além de uma fazenda no Rio Grande do Sul tinha propriedades em Florianópolis e batalhou durante anos para realizar um sonho: A construção da primeira fábrica de automóveis de Santa Catarina em Joinville, a South American Sports Cars Ltda. A montadora iria fabricar em licença da inglesa TVR o Tuscan com motor V8. O esportivo seria tanto vendido no Brasil, por US$ 90 mil, como exportado para os ademais mercados da TVR.

Mudei-me da Europa para Santa Catarina no final de 2002 na expectativa de poder participar do projeto, já que em anexo à fábrica estavam planejando uma pista de testes de 4.5 kms de extensão com planos de expansão para um autódromo homologado e escola de pilotagem. Como se sabe, o sonho virou fumaça graças às picaretagens diversas e Creighton sofreu alguns calotes também. O terreno rural de 2,7 milhões de metros quadrados no km 52 da BR-101, adquirido por Creighton sozinho, acabou sendo leiloado.

TVR Tuscan brasileiro

Poucas pessoas sabiam de seu verdadeiro estado de saúde, já que sempre se apresentava da mesma forma sorridente e positiva. Fiquei em estado de choque quando recebi um e-mail da família em meados de agosto do ano passado que estaria em estado terminal de câncer. Era totalmente inesperado, ainda tinha conversado com ele sobre o seu mais novo projeto na véspera da etapa de abertura da Stock-Car em Interlagos. A idéia então era a produção de um carro urbano brasileiro no estilo do Smart projetado pelo novo sócio, o Gordon Murray.

Creighton partiu deste mundo da forma soberana e distinta como sempre se apresentava. Sobrevivendo somente com a ajuda das aparelhagens nas quais estava conectado, tinha pedido à família de antemão de lhe poupar um fim sem controle sobre si, sem dignidade. Aproveitou para ouvir todas as mensagens de apoio e solidariedade que ainda recebeu nesta ultima semana, a família respondeu que Creighton recebeu cada mensagem com um sorriso típico dele. Na tarde do dia 20 de agosto de 2006, na presença de seus entes queridos, a jornada de Creighton Brown neste mundo recebeu a bandeirada final em um hospital em Edimburgo na Escócia.

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2 Gedanken zu “Saudades do amigo Creighton Brown

  1. Olá Mário,

    Encontrei seu blog hoje, parabéns, é muito interessante!

    Assim como você, tenho muita saudades de meu amigo Creighton Brown.

    Conheci o Creighton no início de 2001, e me mudei para Joinville em 2002 já me preparando para o dia que a planejada fábrica ficasse pronta, pois já havia recebido confirmação do Creighton de que teria um lugar lá para mim. Depois de todas as picaretagens e calotes, como você escreveu, parecia que tudo iria dar certo no início do ano passado… Só parecia, pois aí vieram os problemas de saúde, e aquele e-mail chocante com informação a respeito do câncer, e o final que todos não queríamos que acontecesse.

    Mas o sonho do Creighton deu frutos, e neste ano foi inaugurada a Gordon Murray Design, na Inglaterra, e o primeiro projeto será o carro urbano que o Creighton queria fabricar aqui no Brasil.
    O segundo, esse será especial… Um carro esportivo para as ruas e uma versão para corridas. A idéia era que estes carros também seriam fabricados aqui no Brasil, em Joinville, mas como o projeto aqui foi encerrado, não sei quais são os planos.

    Só sei que, lá do céu da Escócia, nosso amigo ainda dá uma mãozinha para que estes projetos aconteçam, e logo, logo, devemos ver essas belezinhas nas ruas.

    Abraços,

    Marcelo

  2. Eu conheci o Creighton em 2002, e com certeza era uma pessoa sempre com sorrisos.. estive na casa dele em Oxford. E posso dizer que ele foi sem duvida um gentleman em minha vida.
    Fora que percebi que ele foi um grande amigo do Senna, pelas fotos que memorizam aquele lugar.
    Pela amizade e pela paixão que todos nós temos pela Senna.

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