Vida de brasileiro vale menos?

brasil-em-luto.jpg  Menos de 48 horas após a maior tragédia da aviação deste país, a dor das famílias das vítimas do acidente do vôo TAM JJ3054, o sofrimento de quem sobreviveu com ferimentos, as cenas chocantes gravadas eternamente nas memórias de bombeiros, médicos e voluntários, tudo isto teve um impacto imensurável. E há responsáveis, é claro.

 

 

Especulam-se as causas e eu, por ser viajante, por ser brasileiro, me pergunto: Quem está com a consciência pesada agora? Quem são os responsáveis de mais uma tragédia deste porte em somente dez meses. Lembrando que até hoje estamos todos sendo enrolados sobre as verdadeiras causas da colisão do jatinho Legacy com o 737 da Gol como só no Brasil se consegue enrolar o cidadão.

 

 

Interessado sempre em engenharia em geral, o que herdei do meu pai, ao longo dos anos comecei a me interessar pela aeronáutica. Entre os amigos que fiz em vinte anos de viagens mundo afora estão alguns pilotos. Quando surgiu o Airbus lembro das discussões entre eles. O conforto de ter uma aeronave “inteligente” que faz quase tudo sozinho por meio de computador agradava aqueles que faziam muitos trajetos com várias aproximações por dia. Os mais experientes detestavam a idéia de se entregar a um computador, não poder agir na base da própria percepção a na velocidade de seus reflexos.

 

 

Este acidente provavelmente foi conseqüência exatamente disto. Uma aterrissagem computadorizada que falhou porque o cérebro eletrônico recebeu mensagens contraditórias. E o piloto só teve segundos para passar por cima do computador. Segundos valiosos que custaram mais de duzentas vidas. Foi uma falha do Airbus? Muito improvável!

 

 

O que, acredita-se no meio da aviação internacional, pode ter acontecido é um aquaplaning severo, já que falta até hoje o grooving no asfalto novo da pista principal de Congonhas, e os sensores enviaram dados contraditórios ao computador sobre a velocidade das rodas, que patinavam no solo escorregadio. Estes dados levaram a uma conclusão errática do cérebro eletrônico. De qualquer forma não acionou ambos os reversores à tempo. Até o piloto conseguir passar por cima do comando do computador o Airbus, que passou por uma manutenção da TAM há um mês (olha lá…) com um peso total acima de 62 toneladas já estava a 40 metros da cabeceira… e condenado a um acidente fatal.

 

 

Enquanto assistimos incrédulos e chocados a este cenário terrível vem à tona, que as famílias das vítimas do ultimo acidente grave da TAM, tanto no solo como na Fokker 100 que caiu no bairro de Jabaquara no dia 31 de outubro de 1996, não foram indenizadas devidamente e em valores que correspondem ao trauma até hoje.

 

 

Leia o relato do colega Jorge Tadeu, que nunca foi indenizado pela sua casa destruída no acidente pelo vôo 402 da TAM. Apesar da pólice de US$ 400 milhões de dólares (!) que a TAM tinha com a Unibanco Seguros:

 

http://jorgetadeu7.sites.uol.com.br/

 

Depois do incrível desrespeito por parte da TAM, pela patética falta de informação e atendimento adequado aos familiares nas horas após a tragédia de anteontem, já dá pra prever que vai demorar dez anos para estas famílias serem indenizadas. Um cenário impensável em países sérios. Porque será? A conclusão disto seria que a vida de um brasileiro vale menos do que de um cidadão de país de primeiro mundo???

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