Não seria um Almondogate?

Mario Almondo  O que está acontecendo na Ferrari? Existe mesmo o que a mídia internacional, alías de forma irresponsável, apressou-se a rotular de „Stepneygate“ colocando o próprio Nigel Stepney e o diretor técnico da McLaren, Mike Coughlan, no centro de de um suposto escândalo de espionagem com jeito de drama à la Hollywood? E se a verdade for outra?

Alguém se lembra das intrigas e das batalhas políticas nos bastidores da Scuderia Ferrari antes da chegada de Jean Todt há exatos quatorze anos? O francês pôs um fim a isto recrutando os melhores do ramo, aturou as críticas de estar diluindo a equipe italiana com talentos estrangeiros e o sucesso lhe deu razão.

 

 

Após inúmeras vitórias e títulos mundiais parecia ter chegado a hora de recolocar esta equipe de ponta e internamente tranqüila de volta nas mãos dos italianos. Rory Byrne e Ross Brawn optaram pela aposentadoria e com isto chegou a hora de Stefano Domenicali, há quase dez anos o team manager da Scuderia, do novo diretor técnico Mario Almondo, do estrategista Luca Baldissieri, do líder de projeto de chassis Aldo Costa.

 

 

Pois é, o Jean Todt é presidente da Ferrari e mantém ainda o cargo de diretor geral da “Gestione Sportiva” que envolve tudo a ver com competição. E ta todo mundo de olho no cargo quando o Todt se retirar da F1 pra cuidar da marca Ferrari. E o mais ambicioso parece o Almondo, que era responsável pelos RH da equipe de F1, depois pelo controle de qualidade e agora tem um dos cargos mais importantes da Scuderia.

 

 

Quem apostava muito na vaga deixada por Ross Brawn foi o próprio Nigel Stepney, na Scuderia desde início de 1993 na equipe e de mecânico chefe avançou até o nível de coordenador técnico, sendo assistente do Brawn. Mas quem mexeu os pauzinhos direitinho era o rival do inglês, o Almondo. Este parece que ficou sabendo que Stepney está procurando emprego em outro lugar. Mas na verdade o Nigel bem que quis continuar na Ferrari. Só não quis trabalhar sob a direção do Almondo. O italiano então resolveu, me parece, se livrar do Stepney, para que esse não possa voltar da produção de carros de rua para a Gestione Sportiva e atrapalhar a vida dele futuramente.

Stepney e Brawn

De repente somem um dossiê técnico de 780 páginas sobre o F2007 e alguns volantes da fábrica, acontece uma denuncia interna, Stepney, que saiu de férias, é rapidamente crucificado como foragido. Na ausência a polícia arromba o apartamento e acha os objetos em questão na casa dele. Mas srá que foi elel que colocou esse objetos lá? Quando Stepney e sua família voltam para a Itália são alvo de incômodos constantes, ameaças por telefone, até uma perseguição de carro em alta velocidade.

No entretempo um envelope chega por correio, sem remetente, na casa da família Coughlan. Vamos permitir uma outra versão do ocorrido: O diretor técnico da McLaren se surpreende com o conteúdo e, entre a obrigação moral de entregar a documentação aos seus superiores para que eles tomem providencias adequadas, ele é que se entrega. A curiosidade profissional de querer conhecer os segredos do maior concorrente no grid faz com que Mike Coughlan decide fazer fotocópias para seu uso pessoal e entregar o original à diretoria.

 

 

Se você jamais pôs um pé na fábrica da McLaren, sabe que ninguém simplesmente entra na sala do Ron Dennis ou do Martin Whitmarsh. Nem chega perto sem passar por portas com acionamento por cartão eletrônico e uma armada de secretárias. O negócio por lá é agendar um horário. Eu bem que imagino que ele sequer teve oportunidade de falar com os seus superiores discretamente. Mas a Ferrari já sabia de tudo (porque será…?) e faz de cara denuncias às autoridades e o Todt só relata a situação ao Dennis quando a queixa crime já está apresentada. Ou seja, a Ferrari também não quis saber de resolver o assunto discretamente, fez questão de fazer um carnaval público.

 

 

Para mim isto tudo cheira como uma bela intriga, bem no estilo clássico dos anos 60, 70, 80 da Ferrari. Aliás, qualquer época antes do Todt por ordem na casa. E sendo contra o Stepney, quem garante que ela não partiu do Mario Almondo? E porque envolveu Coughlan e assim a McLaren nisto? Porque é um jeito de aproveitar a onda e desestabilizar o concorrente. Afinal todos esses italianos querem mostrar serviço e conquistar um título mundial ajudaria imensamente para consolidarem seus cargos. Ou melhor, um deles se tornar o diretor geral da Gestione Sportiva. E se tivesse que duvidar de alguém, minha escolha seria Mario Almondo pela mera lógica.

 

 

E aí? Acha mesmo este cenário totalmente impossível? Agora pergunto eu: Com qual direito a mídia internacional rotula profissionais como Coughlan e Stepney, lesando seriamente a vida profissional e pessoal destes dois personagens do paddock de longa data? A maioria dos autores destas histórias de suspense sequer trocaram UMA palavra, nem com um nem com outro. E se a história ficar comprovada de outra forma do que tem sido vendida? Será suficiente somente pedir desculpas?

Advertisements

2 Gedanken zu “Não seria um Almondogate?

  1. Bom , a historia do ^Todd com os tuareges no Paris Dakkar é… digamos… histórica. Mas no caso acho que a Mc Lata tem culpa no cartório

Kommentar verfassen

Trage deine Daten unten ein oder klicke ein Icon um dich einzuloggen:

WordPress.com-Logo

Du kommentierst mit Deinem WordPress.com-Konto. Abmelden / Ändern )

Twitter-Bild

Du kommentierst mit Deinem Twitter-Konto. Abmelden / Ändern )

Facebook-Foto

Du kommentierst mit Deinem Facebook-Konto. Abmelden / Ändern )

Google+ Foto

Du kommentierst mit Deinem Google+-Konto. Abmelden / Ändern )

Verbinde mit %s