Esses alemães (2º episódio) – Os juniores da BMW 31 August 2007
Posted by grandprixinsider in BMW, Cheever, DRM, Ertl, Fórmula 1, Fórmula 2, Hockenheim, Neerpasch, Nürburgring, Peterson, Porsche, Stommelen, Stuck, Surer, Zakspeed, Zolder.trackback
Algumas semanas atrás coloquei uma matéria relembrando a Deutsche Rennsport Meisterschaft (ou DRM) de trinta anos atrás e já anunciando uma retrospectiva da temporada de 1977. Após algumas semanas de correria, eis então o relato começando pela BMW, sua participação na “Division 2″ com os novos 320i na versão grupo 5, um preparador que abriu o caminho para um motor de F1 e o projeto com um trio de novatos virando pilotos de fábrica.
A BMW estava de cara nova em 1977, sob a égide de novo diretor de competições Jochen Neerpasch, que tinha ocupado o mesmo cargo com sucesso na Ford, foi criada a BMW Motorsport GmbH, empresa com participação 100% da BMW AG, mas com a agilidade administrativa de uma empresa de pequeno à médio porte. E os resultados desta criação de um departamento de competições praticamente independente, embora trabalhando com recursos 100% da matriz, ficariam evidentes naquela temporada.
Para 1977 Neerpasch incentivou a criação de um verdadeiro carro de corrida na base do anexo J do regulamento da FIA. Até então a BMW tinha tentado acompanhar as Porsches com os BMW 3.5 CSL grupo 2 adaptados ao regulamento do grupo 5. Mas com um excelente motor de Formula 2 à disposição, um novo carro moderno, o modelo E21 da série 3, com dimensões e uma carroceria aerodinamicamente vantajosa, logo a aposta foi feita para enfrentar a Ford, que até então dominava com Ford Escort na especificação grupo 2 da Zakspeed na divisão até 2000cc de cilindrada.
Visto que a BMW tinha feito grandes progressos com seus motores de cabeçotes de alumínio e de 16 válvulas já superando os temidos motores DBA da concorrente Ford, mais o novo Escort era maior e mais quadrado que as versões anteriores, a expectativa de Neerpasch era grande. A Motorsport GmbH ainda resolveu, além de fornecer o 320i Gr. 5 para quem quisesse, alinhou três carros no grid com uma jogada de marketing genial: o BMW Junior Team.
O ítalo-americano Eddie Cheever, o suíço Marc Surer e o alemão Manfred Winkelhock, foram contratados como pilotos de fábrica, os três juniores. E de quebra a Motorsport GmbH comparecia em eventos maiores com o Gentlemen-Team, colocando asses da F1 como Ronnie Peterson e Hans Stuck no volante de carros de clientes como HAT e Faltz, outros 320i foram comprados por Heidegger e GS Tuning e alugados a pilotos nacionais.
A maior concorrência dos 320i da Motorsport GmbH foram, além dos carros vendidos à clientes, os antigos BMW 2002 1.4 Turbo do preparador Schnitzer. Com 380 HP o motor reduzido em cilindrada, praticamente um antecessor do motor que o Paul Rosche da própria montadora iria construir para a Formula 1 levando Nelson Piquet ao título em 1983. O 2002 da Schnitzer era ótimo onde existiam longas retas e curvas de alta, embora um pouco mais alto e com uma aerodinâmica menos eficaz que a dos 320i.
O motor de quatro cilindros superalimentado tinha cerca de 30% a 40% potência a mais que os aspirados de fábrica, dependendo da pressão aplicada ente 2.5 e 2.8 kg, mas sem eletrônica sofisticada para regular injeção e ignição, era uma tarefa e tanto colocar toda essa potência no asfalto sem acabar com os pneus. E de corridas na chuva nem, se fala. Mas Schnitzer provou que o motor superalimentado é o futuro na categoria.
Surer abriu a temporada com vitória em Zolder, Stuck vence as próximas duas provas no Nürburgring e depois outra em Diepholz. No Norisring os três Juniores dão uma demonstração de agressividade muito comentada e Cheever vence. As 2002 turbinadas, nas mãos de asses como Harald Ertl, que durante a temporada trocaria para divisão 1, Peter Hennige (vence em Kassel-Calden) e Klaus Ludwig (vence no Nürburgring) completaram a festa da marca da Bavaria. Só em duas etapas da divisão 2 o piloto vitorioso não dirigia uma BMW.
No campeonato é Manfred Winkelhock, o menos experiente dos três Juniores e que venceu a penúltima etapa do ano em Zolder, que obteve a melhor colocação no campeonato em terceiro na geral. A competitividade na “Division 2″ rendeu o campeonato ao Rolf Stommelen, na “Division 1″ praticamente imbatível com a sua Porsche 935 e, além disto, era o queridinho do dono da equipe de três carros de Georg Loos. Mas já havia gente sonhando com um 320i 1.4 Turbo para fazer uma limpa na temporada de ’78.



Bela história… aliás, conhecia um pouco, quando tive a fazer a biografia do Manfred Winkelhock.
Ó Mario… dava jeito saber o teu mail porque precisava de uma ajuda tua. Tou a fazer um trabalho sobre o Jochen Rindt para publicar quando for a altura (dias 4 e 5), e dava jeito ter umas fotos e histórias que tu conheças, nomeadamente a relação com o Colin Chapman e se é verdade que ele iria retirar-se no final daquela época.
Eis o meu mail de contacto: p.alex.teixeira@gmail.com
Um abraço.
Quem criou a BMW?
Eu precisa-va uma dica para me ajudares?